segunda-feira, 19 de setembro de 2016

 A EVANGELIZAÇÃO INTEGRAL NESTA ÚLTIMA HORA


3º Trimestre/2016


Texto Base: Lucas 24.44- 53

 

"E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém!" (Mc 16.20).

INTRODUÇÃO

Com a graça de Deus chegamos ao final de mais um trimestre letivo. Esperamos que as Aulas ministradas tenham causado um despertamento singular, contribuindo para que todos nós cumpramos a missão primordial que Jesus nos comissionou: a evangelização integral.

A realização da evangelização integral é uma ordem concreta e específica de Jesus, expressa nos textos da “Grande Comissão” (Mateus 28:19,20). Neste texto, notamos que Jesus nos envia em seu poder e autoridade para irmos a todas as nações e façamos discípulos (seguidores de Cristo), batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Porém, aqui não termina o imperativo de Cristo; Ele continua dizendo: “... ensinando-os a guardar todas as coisas que tenho ordenado...”. Nós geralmente nos esquecemos desta última parte. Colocamos todo o esforço e ênfase na “salvação de almas” (e damos graças a Deus por estes esforços), porém devemos ter sempre presente que a Grande Comissão também inclui oensinar todas as coisas que Jesus determinou.

Proclamemos o Evangelho, batizemos e façamos discípulos, porém ensinemos o povo de Deus a também viver uma vida santa, pura, que demonstre preocupação com o estabelecimento de justiça em nossa sociedade, com uma relação mais justa entre os homens e com a situação dos que sofrem perseguição, fome, opressão social e espiritual. Apresentemos o Evangelho de Cristo a todo o contexto humano. O Evangelho deve ser pregado aos pobres, aos ricos, aos setores médios, às nossas autoridades, enfim, a todos os segmentos da sociedade.

É bom entender que uma igreja só se envolverá de maneira séria e responsável com a Grande Comissão, quando estiver sob forte poder e unção do Espírito Santo. No princípio da Igreja, a evangelização atingiu o ápice quando experimentou um efusivo derramamento do Espírito Santo (At 2:1-4). Essa unção extraordinária modificou a estrutura espiritual de um grupo de homens assustados em verdadeiras brasas ardentes, e os levou a testemunharem do amor de Deus, mesmo com o sacrifício de suas próprias vidas. Se levarmos em conta o modelo autenticamente pentecostal de evangelização, cumpriremos, de forma cabal, o programa divino para alcançar tanto o nosso bairro, nossa cidade, nosso país, quanto as nações mais distantes. Mas, para isso, temos de nos voltar ao método de evangelização simples, porém eficaz, dos primeiros evangelistas e missionários.

I.  O QUE É A EVANGELIZAÇÃO INTEGRAL

A Igreja de Cristo é a Agência evan­gelizadora por excelência. Quando ela evangeliza, cum­pre integralmente a sua missão, pois integralmente promove o ser humano, o qual é constituído de corpo, alma e espírito (1Ts 5:23). A evangelização integral alcança todos os aspectos que direcionam o ser humano ao padrão que Deus sempre quis para ele: paz, justiça, alegria, felicidade, equilíbrio, vida eterna. Se a Igreja descumprir a sua tarefa básica, certamente, perderá a sua condição de Corpo de Cristo, reduzindo-se a uma mera organização humana.

1. Evangelização integral. A evangelização integral consiste na proclamação do Evangelho todo, para o homem todo, para todos os homens, e em todos os âmbitos: local, nacional e transcultural. O Evangelho é o agente transformador do caráter do ser humano, por isso Deus comissionou à Igreja fazer a evangelização a todos os povos e etnias(Mc 16:15), no afã de possibilitar a restauração do ser humano ao status quo da criação: imagem e semelhança de Deus(quanto ao caráter), dignidade, plena felicidade, comunhão com Deus e vida eterna.

Jesus direcionou os olhos dos discípulos para a ação missionária e deu-lhes um esboço geral da obra que deveriam fazer: “...e ser-me--eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (Atos 1:8). Jesus não ordenou aos discípulos evangelizar primeiro Jerusa­lém, depois a Judeia, em seguida Samaria e, finalmente, os confins da terra. Não. O seu plano-diretor era bem claro e objetivo: os discípulos deveriam ser testemunhas não apenas no território de Israel, mas até aos confins da terra; não apenas aos judeus, mas também aos gentios. O reino de Deus abrange todos os povos, de todos os lugares, de todas as línguas e culturas. O reino de Deus alcança a todos, em todos os lugares, de todos os tempos, que foram lavados no sangue do Cordeiro (Ap 5:9). Os discípulos eram testemunhas que haviam presenciado um fato glorioso, a ressurreição de Cristo, e essa notícia da exaltação de Jesus deveria ser anunciada até aos confins da Terra, ainda que, para isso, a morte fosse o preço a ser pago.

Todas as nossas ações, todo o nosso cotidiano deve ser criado e executado diante da perspectiva de que somos testemunhas de Cristo Jesus (At 1:8) e que devemos, portanto, testificar do Senhor, mostrar ao mundo, através da mensagem da Palavra de Deus e de atitudes, que Deus é nosso Pai, que somos filhos de Deus e, por meio deste comportamento, levar os homens a glorificar o nosso Pai que está nos céus (Mt 5:16).

2. Avivamento e evangelização. Onde começa a vida cristã? No Calvário. Mas, onde tem início a semeadura eficiente? No Cenáculo. Nenhum plano evangelístico, ainda que elaborado, terá êxito a menos que retornemos ao Cenáculo. Ou seja, sem o revestimento de poder do alto, não teremos força suficiente para anunciar o evangelho de Cristo. Naquele recanto humilde de Jerusalém - o Cenáculo -, apóstolos e discípulos aguardaram, em oração, o derramamento do Espírito Santo. Até mesmo Maria, a mãe do Senhor, ali estava à espera do Consolador que, na plenitude do Pentecostes, haveria de descer e revestir a todos com o poder do alto. A partir daquele instante, a Igreja foi chamada para fora, a fim de ganhar o mundo no poder do Espírito Santo.

Chamada para fora do Cenáculo, a igreja evangelizou Jerusalém. Chamada para fora de Jerusalém, a Igreja inundou a Judeia com a Palavra de Deus. Chamada para fora da Judeia, a Igreja chegou a Samaria, a Antioquia e a Roma. De cidade em cidade, a Igreja alcançou os confins da Terra.

No Pentecostes, todos somos chamados para fora, a fim de proclamar o evangelho de Cristo. Por essa razão tão santa, anunciemos que Jesus salva, batiza com o Espírito Santo, cura as enfermidades do corpo, da alma e do espírito, opera sinais e maravilhas e, em breve, há de voltar para levar-nos à Jerusalém Celeste.

No poder do Espírito, falaremos de Cristo sem impedimento algum. Infelizmente, há igrejas pentecostais, quer entre as neos, quer entre as históricas, que, apesar do título que ostentam, já não têm o Espírito Santo. São místicas, mas não espirituais; sincréticas, mas não bíblicas; em vez de evangelizar, fidelizam clientes que se escravizam a um cristianismo divorciado de Cristo e a um pentecostes sem o Espírito Santo. Urge um avivamento como aquele do Cenáculo.

II. DISCIPULADO INTEGRAL

O discipulado, conhecido como a missão educadora da Igreja, é, ao lado da evangelização, um dos pilares fundamentais da Igreja. São duas tarefas indissociáveis, impostas por ordem de nosso Senhor Jesus e que está exarado na passagem de Mateus 28:19,20.

Quando alguém se converte a Cristo e nasce de novo é considerado um recém-nascido, é uma pessoa que tem pouco ou nenhum conhecimento a respeito das coisas de Deus, a respeito da vida com o Senhor Jesus. Embora tenha recebido uma nova natureza, embora seu espírito tenha se ligado novamente a Deus, ante a remoção dos pecados, é um ser humano e, como tal, precisa ser ensinado a respeito do Senhor, ensino este que deve ser protagonizado pela Igreja, que é a quem o Senhor incumbiu esta tarefa sobre a face da Terra. Jesus é quem salva, mas é a Igreja que deve “fazer discípulos”, que deve “ensinar”. O discipulado não deve ser parcial, mas integral; este, compreende as seguintes ações: doutrinação, integração, treinamento e identificação. “A salvação é de graça, mas o discipulado custa tudo o que temos" (Billy Graham).

1. Doutrinação. A doutrinação consiste no ensino das verdades centrais da fé cristã, tanto aos novos convertidos quanto aos que são antigos na fé. Isto é uma atividade contínua da Igreja, a fim de que o cristão possa pensar, agir e viver de acordo com o mandamento de Cristo; ou melhor, para que o cristão adquira firmeza na fé, maturidade cristã. A doutrinação deve ser iniciada no ato da conversão, tendo continuidade durante toda a vida cristã (At 2:41-43).

Paulo jamais se mostrou remisso à doutrinação da igreja de Cristo. Em Trôade, ministrou aos irmãos até altas horas: “No primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, falava com eles e alargou a prática até meia-noite”(At 20:7-8). Nem o incidente com o jovem Êutico lhe arrefeceu o ardor do ensino da Palavra de Deus: “E, subindo, e partindo o pão, e comendo, e ainda lhes falou largamente até à alvorada; e, assim partiu”(At 20:11). Este é o desvelo que o líder obreiro do rebanho do Senhor deve ter.

2. Integração. Integrar significa juntar, incorporar, tornar parte. Só a doutrinação não é suficiente; é indispensável que aja facilitação para que o ente cristão seja integrado na comunidade, na igreja local. Sem a integração social do novo crente, sua doutrinação torna-se ineficaz. O novo convertido precisa sentir que é parte da família de Deus. Há igrejas onde tornar-se membro significa apenas adicionar o nome no rol de congregados, sem nenhum requisito ou expectativa. Seguir a Cristo, porém, inclui integrar, não apenas acreditar. É bom saber que a igreja é um corpo, não um edifício; um organismo, não uma organização.

Segundo estatísticas divulgadas, de cada cem pessoas que aceitam a Cristo, apenas dez descem às águas batismais, e dessas, apenas três permanecem após o primeiro ano do batismo. Uma das razões principais para isso é a falta de integração do novo convertido ao seio da igreja. O amor que integra não compreende apenas palavras, mas ações efetivas - “Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade”(1João 3:18). Aqui, o apóstolo João adverte que, se os cristãos não se amarem mutuamente, jamais se sentirão parte do corpo de Cristo.

Portanto, quando falamos em integrar o novo convertido, estamos falando simplesmente de fazê-lo parte do corpo visível do Senhor - a igreja local -, promovendo-o à integração espiritual, doutrinária, social emocional e cultural, bem como envolvendo-o no serviço cristão. A sua união ao corpo místico de Cristo é obra do Espírito Santo; entretanto, cabe a nós a missão de levá-lo pela mão em seus primeiros passos na fé, e de ajudá-lo a ocupar o seu lugar na comunidade dos salvos.

3. Treinamento. Ainda na fase da doutrinação e da integração, o novo convertido deve ser treinado a fazer novos discípulos. A igreja de Antioquia se preocupava com esta fase da evangelização integral. Lá, o ministério era completo. A igreja estudava a Palavra de Deus (Atos 13:1), buscava a face de Deus em oração (Atos 13:3) e obedecia a Deus (Atos 13:3). Dentre os seus mem­bros, saíram os primeiros missionários transculturais do Cristianismo. Enquan­to a igreja e os seus obreiros oravam, jejuavam e serviam ao Senhor, disse o Espírito Santo: "Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado" (At 13:2). Vê-se que o Espirito Santo não age à parte da igreja, mas em sintonia com ela. É a igreja que jejua e ora; é a igreja que ensina, que treina; é a igreja que impõe as mãos e despede. Todavia, é o Espírito Santo quem envia os missionários. Assim, os missionários exercem seu ministério pelo Espirito Santo. Foi o próprio Espirito Santo quem enviou os missionários para o campo de trabalho (Atos 13:3,4). A partir daquele momento, a Igreja de Cristo, irradiando-se a partir do Oriente Médio, universalizou-se até chegar a nós.

4. Identificação. Uma vez que o crente recebe a justificação por meio de Jesus Cristo, deve andar de modo digno da vocação a que foi chamado. Isso será demonstrado através de sua conduta, o seu viver diário. A conduta do crente deve refletir a de uma pessoa transformada, que foi lapidada pelo poder do Espírito Santo. Mas essa identificação cristã não se dá de imediato, é preciso um discipulado radical contínuo para se chegar à maturidade cristã.

A igreja em Antioquia era uma igreja que havia dado lugar prioritário ao ensino exaustivo da Palavra de Deus, à doutrina (At 11:22-26). Barnabé, ao verificar que havia conversão autêntica de muitos irmãos naquela igreja, tratou de buscar a Paulo e, durante todo um ano, houve o ensino da Palavra àqueles crentes. O resultado daquele ano de ensino não poderia ser melhor: os convertidos passaram a ter uma vida muito semelhante à de Jesus; passaram a ser diferentes dos demais moradores de Antioquia; passaram a ser provas vivas da transformação que o Evangelho produz nas pessoas. Após terem sido ensinados na Palavra e terem mudado de vida, os moradores de Antioquia passaram a notar a diferença e, cumprindo o que disse Jesus a respeito do efeito das boas obras dos Seus discípulos, passaram a chamar os discípulos de “cristãos”, isto é, “parecidos com Cristo”, “semelhantes a Cristo” (At 11:26). Eram os homens glorificando ao Pai que está nos céus (Mt 5:16); era o resultado do ensino da Palavra.

Hoje, há uma grande necessidade de mantermos uma conduta exemplar. Infelizmente, o modo de comportamento de milhões foi deformado pelo mundo; ao invés de evangelizar, desevangeliza. Quem nos olha como evangélicos, já não nos vê como cristãos. É hora de resgatarmos nossa identidade como servos de Deus para que, à semelhança dos crentes antioquinos, sejamos conhecidos como autênticos discípulos de Cristo.

Concordo com o Pr. Claudionor de Andrade, quando diz que “houve um tempo em que nós, pentecostais, recebíamos os mais abençoados codinomes. Em São Paulo, éramos cognominados de ‘crentes’, pois fazíamos questão de alardear a santíssima fé no poder do evangelho. Já no Rio de Janeiro, apelidavam-nos de ‘bíblias’, porque não escondíamos nosso apego à Palavra de Deus. Noutros lugares, as alcunhas oscilavam entre o elogio e a calúnia. Os católicos mais romanos chamavam-nos de ‘quebra-santos’, porquanto ensinávamos que há um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, o Homem Perfeito.

“O tempo passou. As coisas mudaram. Hoje, somos conhecidos por um agnome elegante e chique: ‘evangélicos’. Já não nos tratam de crentes, nem de bíblias, ou de quebra-santos. E, como evangélicos, fomos associados à prosperidade, ao luxo e à luxúria. Se continuarmos assim, logo perderemos também o nome de cristãos.

“Ontem, o mundo nos odiava, porque éramos biblicamente corretos. Hoje, o seu príncipe nos bajula, por estarmos entre os, política e socialmente, conformados. Ganhamos influência junto aos palácios e câmaras, mas já não temos ousadia junto ao trono daAquele cuja soberania não deve ser ignorada.

“Ontem, o joio entre o trigo. Hoje, o trigo entre o joio. E, pouco a pouco, vai a erva daninha sufocando a boa semente.

“No início, a igreja era evangelizadora. Agora, meramente evangélica. Se no passado fazíamos história, no presente, nem históricos somos. Já não temos perspectiva quanto ao futuro. Perdemo-nos no tempo, e já não temos noção de eternidade.

“Sim, há exceções e não são poucas. No entanto, fizemo-nos conhecidos não pelas exceções, mas pela regra geral. Se as exceções fazem o cristianismo invisível e militante, a regra geral dá corpo e forma à cristandade visível e já bem acomodada a este século”. (Pr. Claudionor de Andrade. O desafio da evangelização, pp.151 a 157).

III. A IGREJA DA EVANGELIZAÇÃO INTEGRAL

A igreja da evangelização integral é caracterizada por três ações básicas na divulgação do Evangelho de Cristo: promoção, comissão e manutenção.

1. Promoção. À semelhança de Antioquia, a igreja da evangelização integral não vive de si e para si. Antes, promove a proclamação de Cristo em todos os âmbitos (At 13:1-3). Para ela, não existe maior evento do que evangelizar e fazer missões. Cabe à igreja, portanto, na plena responsabilidade que lhe foi dada por Jesus Cristo, cuidar do ser humano em sua forma integral (1Co 6:18-20), promovendo a sua reconciliação com o Criador e proporcionando-lhe as condições necessárias para que ele sinta a plena comunhão da família de Deus.

Para cumprir a evangelização integral não é necessário nenhum método inovador, nem de fórmulas extravagantes, precisamos, sim, que retornemos ao Cenáculo para sermos revestidos de poder, e, assim, cumprir plenamente o cronograma divino do anúncio universal do Evangelho. O poder que a igreja recebe não é político, intelectual ou ministerial, mas um poder espiritual, pessoal e moral. A fonte desse poder é o Espirito Santo, e esse poder é dado para que a Igreja seja testemunha de Cristo até aos confins da Terra. Disse Jesus: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me--eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra" (At 1:8). Jesus está dizendo aos discípulos que não lhes bastaria o poder do intelecto, da vontade ou da eloquência humana. Era preciso que o Espírito Santo agisse neles, dentro deles e através deles. Que o Senhor avive as igrejas locais, impulsionando-as aos confins da Terra.

2. Comissão. Na evangelização integral, a igreja tem de agir como a agência evangelizadora e missionária por excelência. Nenhuma organiza­ção pode substituí-la nessa tarefa. Jesus deu a ordem: “ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28:19,20).

O homem não tem condições de salvar-se a si próprio e, mais, o deus deste século lhe cegou o entendimento para que não tenha condições de ver a luz do evangelho da glória de Cristo (2Co 4:4). Portanto, é tarefa da Igreja ir ao encontro de judeus e de gentios para lhes anunciar as boas-novas da salvação.

A ordem do Senhor é para que se pregue a toda criatura, mesmo aquela que, pela sua conduta, pela sua forma de proceder, é alvo de todo ódio, de toda repugnância, de todo o desprezo da sociedade e do mundo (vide Mc 5:1-20). Observe o exemplo de Jesus - Ele ia ao encontro dos publicanos e das meretrizes, considerados a escória da sociedade de seu tempo. E nós, o que estamos a fazer?

3. Manutenção. É dever de cada crente incentivar missões, orar pelos missionários e pelos que estão sendo enviados, e contribuir financeiramente para o sustento dos missionários. Quando olhamos para o princípio da Igreja, notamos nela o empenho dos crentes para que houvesse a manutenção e o sustento daqueles que tinham se dedicado à obra de Deus (At.2:44-46; 6:1-3; Fp.2:25; 4:18; 1Tm.5:18), como também o cuidado para que os pobres não passassem por necessidades que comprometessem a sua sobrevivência digna (2Co 8,9).

Não há qualquer fundamento para que se diga, como alguns, na atualidade, que não há qualquer necessidade de uma contribuição financeira na Igreja. Os textos bíblicos mostram, claramente, que devemos contribuir para a manutenção e sustento da obra de Deus e que esta obra envolve despesas e a necessidade de sustento daqueles que se dedicam integralmente a ela. Como se não bastasse isso, não podemos ter, na Igreja, qualquer necessitado, o que impõe a contribuição para que seja possível a ação social, não só entre os crentes, mas também em relação aos incrédulos, pois a ação social é elemento integrante da evangelização integral.

Em nossos dias, dias de “amor do dinheiro” (1Tm 6:10), vemos dois fenômenos totalmente inadmissíveis para o povo de Deus:

- Primeiro, a “mercantilização da fé”, em que, aproveitando-se dos mandamentos bíblicos referentes à contribuição financeira, muitos estão a tornar as igrejas locais em verdadeiras “empresas religiosas”, onde há uma sede de arrecadação que tem em vista tão somente a formação de impérios empresariais travestidos de organizações ou empreendimentos eclesiásticos e a nutrição de uma vida nababesca de poucos, que não estão nem um pouco preocupados com a obra de Deus, que se fazem cercar de um sem-número de “parasitas”, aproveitadores das “migalhas” que caem das mesas destes “mercenários”.

- Segundo, o “consumismo desenfreado”, que tem tomado conta dos corações de muitos crentes que direcionam os seus recursos para a satisfação de seus desejos e prazeres incontidos, com o desvio dos recursos que deveriam ser destinados à obra de Deus, e que servem apenas para a satisfação dos interesses materiais e mundanos dos que cristãos se dizem ser, e que fazem com que muito do que poderia ser utilizado na obra de Deus seja destinado para “mercenários” e para pessoas totalmente descompromissadas com a evangelização.

Como bem diz o Pr. Claudionor de Andrade, “evangelizar não é expandir impérios, ainda que estes exibam títulos eclesiásticos e igrejeiros. O evangelizar autêntico e pentecostal é mais semeadura que colheita, é mais chorar que rir, é mais pregar que teologizar. Que exemplo o semeador da parábola nos traz! O Mestre disse que ele saiu, mas calou-se quanto ao seu retorno, pois a evangelização integral tem a ver com o sair, e não com o retornar”.

“No auge da pros­peridade econômica do Brasil, o que fizemos em prol da evangelização mundial? Sabemos que algumas igrejas aproveitaram aquele momento para chegar aos confins da Terra. Outras, porém, viveram apenas para si, como se aquele instante não tivesse fim”.

Quando há compromisso com a Palavra de Deus, também comprometemos o nosso patrimônio com as “coisas de cima”, com aquilo que contribuirá para a salvação das almas e a glorificação do nome do Senhor. Pensemos nisto!

CONCLUSÃO

“Para que existe no mundo a Igreja Cristã? Ela não é um barco, em que podem flutuar os favoritos, felizes, e sem cuidado algum, por sobre o mar da vida até chegar à praia áurea. Ela não é uma companhia de seguros, à qual se podem pagar prêmios! Ela não é um clube social, cujos membros se reúnem ocasionalmente para gozar a companhia uns dos outros, se divertirem e trocarem ideias! Não. A Igreja de Cristo é uma instituição ganhadora de almas, a proclamar, a tempo e fora de tempo, que Jesus Cristo salva a todos os homens que O aceitarem...”(Orlando Boyer - Esforça-te para ganhar almas).

Foi um prazer estar com vocês neste trimestre letivo. Espero que as Aulas ministradas tenham despertado em cada coração o desejo de ganhar almas para o Reino de Deus. Que Deus nos conceda ânimo, saúde física e mental, e inspiração para enfrentarmos o novo desafio que está por vir. Deus os abençoe sobremaneira!

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Revista Ensinador Cristão – nº 67. CPAD.

Ev. Dr. Caramuru Afonso Francisco. Evangelização – a Missão máxima da Igreja. PortalEBD_2007.

O desafio da Evangelização. Pr. Claudionor, de Andrade. CPAD.

Orlando Boyer. Esforça-te para ganhar almas. Ed. Vida.

domingo, 11 de setembro de 2016

A MENSAGEM DA CRUZ

A crucificação de Jesus foi um evento histórico em que o mundo expressou seu ódio a Deus e sua hostilidade contra ele. Foi o símbolo definitivo não só da maldade do pecado, como também da ganância do coração humano. Tirar a vida do Senhor da Glória foi o grito supremo de “eu quero” do mundo.
No entanto, a cruz se encontra no cerne do evangelho, não por causa do que ela nos diz sobre o pecado, mas por causa do que ela nos diz sobre a graça de Deus: a misericórdia que fornece um remédio para o pecado e o amor que garante a eficácia desse remédio. A cruz é uma boa notícia não por causa do que nós tiramos de Deus, mas por causa do que Deus nos deu.
A natureza do presente
A cruz foi o Deus Pai doando o Deus Filho para a salvação do mundo. Essa é a distinção introduzida em João 3.16: o Deus que amou o mundo é o Deus que deu, e aquele que foi dado foi “seu Filho unigênito”.
No entanto, João introduz seu relato do evangelho para nós com a afirmação de que o Filho, ainda que seja distinto do Pai, não é distinto de Deus. Antes, ele é identificado com Deus. Dizer que o Pai deu o seu Filho por nós é falar sobre uma pessoa de dar outra, mas também é afirmar que, em um sentido último, Deus deu seu Filho. É com “seu próprio sangue” que Deus resgatou a igreja (Atos 20.28).
Apenas esse fato já deve colocar a cruz no mais alto relevo. No Calvário, o mundo se pôs diante de Deus e disse: “Eis o quanto te odiamos!” E no Calvário, Deus se pôs diante do mundo e disse: “Eis o quanto eu te amo!”.
O planejamento do presente
A cruz não foi um acidente. Ela foi planejada por Deus antes da fundação do mundo. Quando Deus apresentou seu herói, “o descendente da mulher” (Gênesis 3.15), como aquele que seria vitorioso sobre o pecado e sobre Satanás, esse não era o plano B. Esta foi a primeira indicação na história de que, por trás da história, havia um propósito de salvação já decretado em que o Filho de Deus seria dado como o Salvador dos pecadores.
O primeiro anúncio da promessa em Gênesis 3.15 define a cruz em um tríplice contexto: em primeiro lugar, o presente de um Salvador foi necessário devido à violação do pacto de obras entre Deus e o homem; segundo, o presente foi preparado num pacto intra-trinitário de redenção; e terceiro, o presente seria dado através de um pacto de graça administrado na história.
Por essa razão, ao longo de todo o Antigo Testamento, o já formulado, mas ainda não realizado presente de um Salvador é indicado de várias maneiras e em momentos diferentes. “Deus proverá um cordeiro”, diz Abraão em Gênesis 22.8. “A virgem conceberá e dará à luz um filho”, diz o profeta em Isaías 7.14. “Suscitarei para elas um só pastor, meu servo Davi”, Deus diz em Ezequiel 34.23, prometendo a vinda do pastor real que daria sua vida pelas ovelhas.
A entrega do presente
E no devido tempo, Jesus veio. Mas o Novo Testamento é muito cuidadoso em destacar o caráter de sua vinda como uma dádiva. “Vindo, porém, a plenitude do tempo”, Paulo escreve em Gálatas 4.4, “Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei”. Nós tínhamos sido expulsos do Paraíso; por isso, Deus enviou o seu Filho para fora do Paraíso, para a terra distante. Quando Isaías declarou que “um menino nos nasceu, um filho se nos deu” (Isaias 9.6), o cumprimento final de suas palavras chegou quando o Filho de Deus se encarnou como um de nós.
Desta forma, em última análise, esse Filho foi dado para a morte; o Pai não o poupou, mas entregou-o por todos nós (Romanos 8.32). Foi o mais caro de todos os presentes: Deus “se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos” (2Coríntios 8.9). Deus, na fraqueza da carne humana, conquistou por nós o que não podíamos conseguir em nossa própria força (1Coríntios 1.25). A cruz era o presente de amor definitivo.
O propósito do presente
Se João tivesse nos dito que Deus amou seu Filho de tal maneira que lhe deu o mundo, não nos causaria nenhuma surpresa. A surpresa vem na direção oposta: Deus deu seu Filho, de tanto que amou o mundo. E a razão pela qual ele deu foi para que o mundo seja salvo ao receber o presente. Quão excepcionalmente sábio, quão excepcionalmente simples. Ainda assim, quão excepcionalmente difícil para o duro coração do homem agradecer a Deus pelo que Paulo chama de “seu dom inefável” (2Coríntios 9.15).

Tradução: João Paulo Aragão da Guia Oliveira; Revisão: Yago Martins; Adaptação para o blog: Rev. Ronaldo P. Mendes, via: ministeriofiel.com


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quarta-feira, 7 de setembro de 2016

A EVANGELIZAÇÃO DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA


3º Trimestre/2016

Texto Base: João 5:1-9

"[...] Sai depressa pelas ruas e bairros da cidade e traze aqui os pobres, e os aleijados, e os mancos, e os cegos" (Lc 14:21).

INTRODUÇÃO

A Bíblia é clara: Deus não faz acepção de pessoas (Dt 10:17; Atos 10:34). Ele "quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade" (1Tm 2:4), inclusive os deficientes físicos. Deficiência física, segundo a Organização Mundial da Saúde, é a “ausência ou a disfunção de uma estrutura psíquica, fisiológica ou anatômica. Essas pessoas acham-se privadas quer de seus sentidos, quer de seus movimentos, ou do pleno uso de suas faculdades mentais. Estão incluídos os cegos, mudos, surdos, paraplégicos e tetraplégicos, os autistas, os que têm a Síndrome de Down, etc”. O amor de Deus abrange todas essas pessoas. Ele não admite que ninguém fique de fora de seu plano salvífico (Atos 2:39; 1Tm 2:4).

Em Israel, até antes da primeira vinda de Jesus, exis­tia a crença errônea de que as pessoas com deficiência física era resultado de algum pecado (João 9:2). Por isso, essas pessoas eram excluídas; elas viviam à margem da sociedade. Mas Jesus veio para mudar essa situação; Ele quer que todas essas pessoas, também, façam parte do seu glorioso Reino. Desta feita, a Igreja, em seu plano evangelístico, deve engendrar todo esforço e estratégias para evangelizar as pessoas com deficiência. A evangelização que não inclui essas pessoas é incompleta e não expressa plenamente o amor de Deus.

Todavia, quando falamos em evangelização das pessoas com deficiência, precisamos levar em conta os desafios e as implicações do que isto quer dizer. O desafio começa com a adaptação das pessoas deficientes na congregação. Se houver cadeirante, é necessário que haja espaços adaptados para ele se locomover; se houver surdos, é necessário que haja na igreja pessoas capazes de se comunicar por intermédio da linguagem de sinais; se houver pessoas portadoras de cegueira, é necessário que haja pessoas capacitadas em leitura de braile ou outros meios que visem atender esse público. Não há como falar de evangelização desses grupos de pessoas sem levar em conta o enorme desafio de compreendermos as suas necessidades.

I. A SUFICIÊNCIA DE CRISTO PARA COM AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA



A cura do paralítico do tanque de Betesda (cf. João 5:1-9) mostra com bastante clareza a suficiência de Cristo com as pessoas com deficiência. Certa feita, Jesus foi a uma festa em Jerusalém. Mas, enquanto o povo se alegrava, Ele se dirigiu ao tanque de Betesda, onde havia uma multidão de deficientes sofrendo (João 5:1,2). Como sua comida era fazer a vontade do Pai, e a vontade do Pai é a salvação dos perdidos e o socorro dos aflitos, Jesus caminha para esse local, onde havia gente deformada, destruída emocionalmente.

O tanque de Betesda era uma espécie de hospital público da cidade. Conhecido como “Casa de Misericórdia” abrigava uma multidão de pacientes sem perspectiva de cura. O texto é assaz chocante: “Nestes jazia grande multidão de enfermos: cegos, coxos e paralíticos, esperando o movimento das águas” (João 5:3). Essa multidão era alimentada pela crença de que um anjo desceria em algum momento para agitar a água do tanque, e o primeiro que se lançasse na água seria curado. Jesus caminha no meio dessa multidão e distingue um homem, um paralítico, entrevado em sua cama, abandonado, sem nenhuma perspectiva de cura. Aquele homem era a maquete da desesperança.

Destacamos neste episódio alguns pontos importantes.

1. Jesus, a esperança do desesperançado (João 5:6) – “E Jesus, vendo este deitado e sabendo que estava neste estado havia muito tempo, disse-lhe: Queres ficar são? O enfermo respondeu-lhe: Senhor, não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me coloque no tanque; mas, enquanto eu vou, desce outro antes de mim”.

Nota-se, pelo texto, que aquele homem não demonstrava nenhuma esperança de ser curado; ele estava desprezado. Como eu disse, ele era a maquete da desesperança. Ele já não tinha mais sonhos para embalar. Sua causa estava totalmente perdida. Seu corpo estava surrado pela doença. Suas emoções estavam turvas pelas circunstâncias adversas. Sua alma estava doente pela autoestima aniquilada. Quando Jesus o viu, perguntou-lhe: "queres ficar são?". Ele respondeu com uma evasiva. Ele não foi direto, não foi objetivo, não disse sim nem não. Em vez de responder à pergunta objetiva de Jesus, saiu pela tangente e acentuou sua dor emocional: "senhor, não tenho ninguém...". Isso demonstra que o desprezo era a doença mais avassaladora na vida daquele paralítico, até mesmo maior do que a paralisia; que o abandono lhe doía mais do que a incapacidade de andar; que a falta de solidariedade naqueles longos anos era como farpas cravadas em seu peito que envenenavam sua alma; que a mágoa havia aberto feridas cheias de pus em seu coração. Só Jesus poderia lhe conceder a cura física e da alma. Jesus era a sua única esperança. Só em Jesus Cristo há salvação para o desesperado sem esperança.

Quantas pessoas não estão assim como este paralitico, sem esperança, sem ninguém para lhe estender a mão! A igreja é o braço estendido de Jesus para amparar estas pessoas e lhes mostrar o caminho certo que as levará à porta da provisão.

2. A divina compaixão de Jesus (João 5:6). Jesus viu aquele homem com uma doença incurável. Era uma causa perdida. Por isso, Jesus foi ao encontro dele. Jesus o viu. Tomou a iniciativa. Abordou-o. Jesus abriu para ele a porta da esperança. Sentiu sua dor, seu drama.

Talvez você também, prezado irmão e amigo, já não tenha mais forças para clamar. Talvez você já tenha desistido de esperar uma cura. Talvez você só tenha encontrado incompreensões e lute sozinho para uma cura que não acontece. Mas Jesus se importa com você e se compadece de sua vida.

Talvez você pense que foi longe demais e agora já não tem mais saída. Talvez você já tenha batido em todas as portas e esteja cansado de esperar. Mas Jesus vê você. Ele sabe o que está acontecendo com você e se importa com tua vida. Jesus é tremendamente misericordioso. Ele nos vê quando estamos prostrados, sozinhos, abandonados, sem ajuda, sem saída, conformados com o caos. Ele nos distingue no meio da multidão e se importa conosco.

Jesus tem prazer na misericórdia. Ele é o caminho para pés perdidos; é a verdade para a mente inquieta; é a vida para os que estão mortos; é a luz para tua escuridão; é pão para tua fome e a água para tua sede; é a paz para o teu tormento. Quando os nossos recursos acabam, somos fortes candidatos a um milagre de Jesus (João 5:7,8) - “O enfermo respondeu-lhe: Senhor, não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me coloque no tanque; mas, enquanto eu vou, desce outro antes de mim. Jesus disse-lhe: Levanta-te, toma tua cama e anda”.

Aquele homem estava só. Não tinha ninguém por ele. Não tinha saúde. Não tinha paz. A solidão era a marca da sua vida. Ele havia chegado ao fim da linha, ao fundo poço. Mas, quando se viu desamparado, Jesus lhe estendeu a mão. Este é o nosso Jesus: cheio de compaixão, de misericórdia.

O que as pessoas viam naquele paralítico desprezível e excluído pela sociedade e até mesmo pelos seus familiares? Uma fonte de problemas, e problemas sem solução; alguém sem futuro, sem esperança e sem capacidade de produzir algo relevante para a sociedade; um fardo, não só para ele mesmo como para os demais à sua volta. Para muitos, sua ausência nem seria sentida, apesar das várias vezes que o viram ser colocado junto ao tanque, à espera do milagre. Era isso que as pessoas viam. Mas, Jesus viu naquele homem sem nome, sem história, sem currículo e sem futuro, algo de muito valor.

Jesus também está vendo a tua vida, caro irmão e amigo. Ele sabe todos os problemas que tu estás passando. Ele conhece a tua dor, a tua angústia, o teu vazio, a tua crise. Ele tem nas mãos o diagnóstico da tua vida. Jesus sabe há quanto tempo você está sofrendo; Ele conhece a dor de ser abandonado; conhece a dor da desesperança; conhece os sonhos frustrados; conhece a virulência do pecado que assola tua vida, o peso da culpa que esmaga tua consciência.

Prezado irmão e amigo, você talvez não saiba, mas o Senhor pode mudar seu cativeiro, e aquilo que hoje você carrega com vergonha vai se tornar, em breve, algo que você carregará com orgulho. Basta que você creia nele, e o aceite como único e suficiente Senhor e Salvador. Ele disse: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve”(Mt 11:28).

3. Jesus supre plenamente a necessidade do paralítico (João 5:8) – “Jesus disse-lhe: Levanta-te, toma tua cama e anda”. Observe que Jesus não pregou, não corrigiu a teologia do paralitico, não fez uma palestra sobre salvação para ele. Pessoas que tem falta de esperança não precisam de mais conhecimento, precisam de compaixão. Jesus deu ao homem o que faltava e aquilo de que ele desesperadamente necessitava; deu a ele graça em forma de uma ordem: “Levanta-te, toma a tua cama e anda”.

O Rev. Hernandes Dias Lopes, citando Charles Erdman, diz que, em João 5:8, a palavra “levanta-te”, sugere a necessidade de resolução e ação imediatas; a frase “toma a tua cama”, lembra ao homem a ser curado que ele não deve pensar em recaída, nem fazer provisão para uma volta ao velho modelo de vida, nem temer o futuro, mas apenas confiar em Cristo; a palavra “anda”, declara a necessidade de passar logo a experimentar a nova vida que Cristo outorga.

Jesus dá a ordem e também o poder para cumpri-la. Uma ordem de Cristo sempre encerra uma promessa. Ele sempre nos capacita a executar suas ordens. Na verdade, Jesus dá o que ordena e ordena o que deseja. A Palavra de Jesus tem poder: a natureza lhe obedece, os ventos ouvem sua voz, o mar escuta suas ordens, os anjos obedecem ao seu comando, os demônios batem em retirada diante de sua autoridade. Ele tem toda a autoridade no Céu e na Terra.

4. A causa da deficiência do paralitico de Betesda: o pecado (João 5:14) – “Depois, Jesus encontrou-o no templo e disse-lhe: Eis que já estás são; não peques mais, para que te não suceda alguma coisa pior”.

Jesus é Deus, Ele tudo vê. Jesus viu o passado, a condição e o futuro desse paralitico. Viu que ele estava colhendo o que havia plantado. Viu nele uma triste história de pecado. Aquele homem não estava apenas preso à sua cama, mas também preso ao seu passado, às suas memórias amargas, à sua culpa.

Jesus olhou para a mulher samaritana e viu que ela estava vivendo em adultério. Jesus olhou para Zaqueu na árvore e viu que havia sede de Deus no seu coração. Jesus viu o amor às riquezas no coração do jovem rico. Jesus viu a hipocrisia nas atitudes dos fariseus. Jesus viu falsidade no beijo de Judas Iscariotes. Jesus viu o arrependimento sincero no coração do ladrão na cruz. Nada fica oculto aos olhos de Jesus. Caim tentou fugir de Deus; Acã tentou encobrir o seu roubo; Davi tentou esconder o seu adultério. Mas o Senhor estava vendo tudo.

Jesus sabia que aquele homem estava enfermo havia 38 anos. Ele conhecia a causa do seu sofrimento: o pecado. O texto de João 5:14 mostra que o pecado é maligníssimo, porque esse homem está sofrendo por causa do seu pecado. Está colhendo os frutos malditos de sua semeadura insensata. Esse homem estava sem amigos, sem ajuda e sem esperança. Os anos passavam, e ele continuava entregue à sua desventura, sem nenhum socorro. Esse é o preço do pecado.

Muitos hoje ainda se apegam ao pecado que Deus abomina. Mas o pecado é uma fraude: promete prazer e paga com o desgosto; promete liberdade e escraviza; aponta um caminho de vida, mas seu fim é a morte. Por isso, o paralítico, agora já agraciado por Jesus, ao encontrar-se com Jesus no templo, é advertido de não voltar ao pecado para não lhe suceder coisa pior. Percebe-se que, nesse caso, existe uma relação entre pecado e doença.

Charles Erdman coloca essa advertência de Jesus nas seguintes palavras: “Trinta e oito anos de padecimentos, ocasionados pelo pecado, podiam parecer bastantes para fazer o homem acautelar-se de, outa vez, meter-se debaixo do seu jugo. A triste verdade, porém, é que por mais que o pecado faça sofrer, ninguém por isso o detesta; entretanto, não deixa de sentir as agonias das suas consequências. Nossa única segurança está na submissão de nossa vontade ao Salvador” (Erdman, Charles. O evangelho de João).

II. PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS SÃO CARENTES DE SALVAÇÃO (1)

A inclusão de pessoas com deficiência não deve ser vista apenas como política pública, mas alvo do grande amor de Deus. Porque o Pai Celeste, amando-nos como nos ama, enviou o seu Filho ao mundo, para que todos nós viéssemos experimentar a salvação em sua plenitude.

1. O deficiente, sem Jesus Cristo, está condenado ao inferno (Sl 9:17).Enganosamente, muitos veem como não condenáveis os indivíduos com deficiências, como se a entrada no Céu lhes fosse franqueada em compensação das dificuldades enfrentadas na vida terrena. Mas a Palavra de Deus é clara: "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Rm 3:23). Com ou sem deficiências, todos nascemos pecadores e estamos "debaixo do pecado, como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só" (Rm 3:10-12).

Tendo em vista que a Bíblia Sagrada não faz diferença entre o deficiente e o não deficiente, então é necessário que a igreja engendre todo o esforço possível para levar o Evangelho de Jesus Cristo às pessoas com deficiência. Não resta dúvida que é um grande desafio, pois a evangelização das pessoas com deficiência requer esforços concentrados e específicos. Mas, esta é a nossa missão: tornar o evangelho acessível a todos, inclusive aos que trazem alguma deficiência. Devemos, pois, falar de Cristo aos que não ouvem, mostrar as belezas da vida cristã aos que não veem, apontar o caminho da salvação aos que não conseguem andar e discorrer sobre a razão da nossa fé aos que não logram pensar com clareza. Ajamos, pois, como seus olhos, ouvidos, boca e pernas, pois assim agiu o Senhor Jesus em seu ministério terreno.

2. Todas as pessoas são carentes de salvação e estão ao alcance da graça de Deus, inclusive o deficiente (João 3:16). Todas as pessoas, inclusive o deficiente, devem ser conscientizadas de sua situação perante Deus, por causa do pecado, e saber que podem ser "justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus" (Rm 3:24).

Jesus não veio para a maioria, mas para "toda a criatura", para "todo aquele que nele crê" e para "todo aquele que invocar o nome do Senhor" (Mc 16:15; João 3:16; Atos 2:21; Rm 10:13). Mas "como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?"(Rm 10:14). Ainda que em nossa comunidade haja apenas uma única pessoa que demande atenção especial, é bíblico que façamos o necessário para levá-la a Cristo e discipulá-la.

Nas parábolas do capítulo 15 do Evangelho de Jesus Cristo, segundo escreveu Lucas, ao mostrar a preocupação do pastor por uma única ovelha desgarrada, o desvelo da mulher por uma única moeda perdida e a solicitude do pai por um filho distante, o Senhor destacou a preciosidade de cada indivíduo ao coração de Deus. A Igreja deve ter essa mesma visão e não se contentar enquanto lá fora houver uma alma perdida. E se essa alma for alguém com uma deficiência que demande investimento humano e financeiro, a Igreja não deverá encolher-se no pensamento mesquinho de que só valeria a pena se fosse um grupo inteiro.

Alguém, ao discorrer sobre a graça divina, afirmou que, se todas as pessoas do mundo fossem justas, com exceção de apenas uma, Jesus Cristo ainda assim desceria do Céu, para morrer por essa única pessoa. Porque Deus não nos ama apenas coletivamente, Ele nos ama também individual e particularmente. Portanto, ninguém deverá ficar de fora de nossas ações evangelísticas, mormente os que não podem ver, ouvir, falar, locomover-se ou compreender com a razão.

III. EXEMPLOS BÍBLICOS DE INCLUSÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA (2)

Por toda a Bíblia, encontramos personagens com algum tipo de deficiência. No entanto, é maravilhoso observar a obra divina na vida de cada um deles, restaurando-lhes a dignidade, salvando-os e até restabelecendo-lhes plenamente a sanidade física e mental. Vejamos alguns deles. Ao conhecer melhor suas histórias, concluiremos que é possível, sim, incluir a todos no Reino de Deus, pois o Pai Celeste não deseja que ninguém fique de fora.

1. A inclusão de Mefibosete. Neto de Saul, Mefibosete ficou coxo aos cinco anos quando sua ama, tentando salvar-lhe a vida, deixou-o cair (cf. 2Sm 4:4). No capítulo 9, a reação de Mefibosete ao chamado de Davi revela o que ele pensava de si mesmo, talvez por sua condição física: "Quem é teu servo, para tu teres olhado para um cão morto tal como eu?" (2Sm 9:8). Ao ser beneficente para com Mefibosete, Davi restaurou-lhe a autoestima. Mefibosete não viveria mais como um indivíduo qualquer e sem importância. Todos os dias ele comeria pão à mesa de Davi, como se fora um príncipe.

Conforme a Lei de Moisés, o jovem Mefibosete não poderia exercer o sacerdócio, por causa de sua deficiência física. Todavia, Deus o honrou de tal forma, que veio a estar à mesa de Davi. O Pai Celeste, no seu Reino, não discrimina a nenhum de seus filhos. Ao aceitarem Jesus como Salvador, as pessoas com deficiência passam a ser filhos de Deus, "logo, herdeiros também, herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo" (Rm 8:17).

2. Acenos e uma tábua de escrever. O sacerdote Zacarias, ao receber de Gabriel a notícia de que sua esposa daria à luz um filho, não creu. Por isso, ficou mudo até o dia em que se cumpriram as coisas anunciadas pelo anjo. Observe, em Lucas 1:21-23, que a mudez de Zacarias não o impossibilitou de comunicar-se com as pessoas que estavam no Templo. Por acenos, o sacerdote conseguiu fazer-se entender. Alguns versículos à frente, vemos mais um recurso usado por Zacarias: "E, pedindo ele uma tabuinha de escrever, escreveu..." (Lc 1:63). O que se conclui dessa narrativa sagrada? Todos, apesar de suas limitações, podem receber a comunicação do evangelho e, assim, experimentar a vida eterna. Se naquele tempo já era possível aos mudos se comunicar, hoje, com os recursos didáticos e tecnológicos de que dispomos, podemos integrar mais facilmente as pessoas com deficiência.

3. Uma figueira no lugar certo. Em Lucas 19, lemos sobre o encontro de Zaqueu e Jesus. "E, tendo Jesus entrado em Jericó, ia passando. E eis que havia ali um homem, chamadoZaqueu... E procurava ver quem era Jesus e não podia, por causa da multidão, pois era depequena estatura. E, correndo adiante, subiu a uma figueira brava para o ver, porque havia de passar por ali. E, quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque, hoje, me convém pousar em tua casa" (Lc 19:1-5).

Zaqueu estava em desvantagem, pois era de baixa estatura. Se a figueira não estivesse exatamente naquele lugar, ele não teria conseguido ver Jesus, por mais que se esticasse, ou ficasse na ponta dos pés. Assim como Zaqueu, muitas pessoas com deficiência querem ver a Jesus, e certamente frequentariam nossas igrejas se soubessem que os templos estavam devidamente preparados para recebê-las.

4. Aqueles que se esforçam para levar alguém a Jesus. Lemos, em Marcos 2:1-12, que quatro homens levaram um paralítico a Jesus. Esse homem não poderia, por si mesmo, chegar onde Jesus estava. Ele estava impedido de se mover, pois era coxo e entrevado. Suas pernas não se moviam, seus músculos estavam atrofiados e sua coluna vertebral estava paralisada. A doença havia atingido as áreas motoras do seu cérebro. Ele jazia como um morto. Aquele homem tinha de ser carregado; então, os seus amigos o ajudaram a ir a Jesus. Que bom que ele tinha amigos! Que bom que eles dispuseram seus dons, seus talentos, seus recursos para ajudar o outro! Ainda hoje há muitas pessoas que não irão à Casa de Deus a não ser que sejam levadas e colocadas aos pés de Jesus. Aprendemos, aqui, duas lições importantes:

a) os quatro amigos do paralítico tiveram visão (Mc 2:3,4). Lucas nos informa que esses quatro homens queriam introduzir o paralitico dentro da casa e pô-lo diante de Jesus (Lc 5:18). Aquele coxo precisava de ajuda. Ele não poderia ir por si mesmo a Jesus. Ou era levado ou, então, estaria fadado ao desespero. Entretanto, esses quatro amigos tiveram a visão de levá-lo e pô-lo diante de Jesus. Eles compreenderam que se aquele paralitico fosse colocado diante de Jesus seria curado e liberto do seu mal. Esse quarteto não apenas era esforçado, mas tinha fé. Eles sabiam que Jesus era tudo o que o paralítico precisava (Mc 2:5). Por isso, descobriram o telhado onde estava e, fazendo um buraco, baixaram o leito em que jazia o paralítico (Mc 2:4). Aquele quarteto se dispusera a fazer um grande sacrifício para levar o paralítico até onde Jesus estava. Eles disseram: "Já que não tem uma porta aberta, vamos fazer uma; e vamos fazer no teto, porque o único jeito de fazer porta fácil é no teto". E naquele tempo nem telha existia, como as que existem hoje. Você é um amigo disposto a abrir portas onde elas não existem? Você é um amigo pronto a dar do que você sabe, e tem, para criar portas? Afinal, há tanta gente que só precisa de uma porta aberta!

A visão determina a ação. O homem sem Jesus está só, doente, perdido. Não há esperança para os aflitos a menos que os levemos a Jesus. Nós não podemos converter as pessoas, mas podemos levá-las a Jesus. Não podemos realizar milagres, mas podemos deixar as pessoas aos pés daquele que realiza milagres.

b) os quatro amigos do paralítico exercitaram uma fé verdadeira (Mc 2:5). Este texto diz que Jesus é poderoso para fazer algo extraordinário. Eles creram que Jesus ia fazer o milagre e isso os motivou. Apesar de nenhum desses homens ter falado coisa alguma, todos confiaram. E foi isto que realmente importou. A fé daqueles quatro homens tocou o coração de Jesus, levando o evangelista Marcos a registrar: “Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: filho, os teus pecados estão perdoados” (Mc 2:5). A fé do paralítico está aqui incluída, é uma fé operosa, que atua pelo amor. Eles não poderiam fazer o milagre nem salvar o homem, mas eles poderiam levá-lo a Jesus. Levar o paralitico a Jesus era tarefa deles, perdoar e curar o coxo era obra exclusiva de Jesus.

O milagre é Jesus quem faz, mas nós somos cooperadores de Deus. Levar as pessoas aos pés de Jesus é nossa missão. Precisamos ter fé que Jesus vai salvá-las, curá-las, libertá-las. É preciso ter fé e força de vontade o bastante para, literalmente, buscar as pessoas e levá-las ao local onde a salvação está.

CONCLUSÃO

O Evangelho de Cristo tem de ser anunciado a todos, em todo tempo e lugar, por todos os meios. Por essa ra­zão, não deixaremos de fora nenhuma pessoa com deficiência. Todos precisam ser alcançados pelas Boas-Novas: os que enxergam bem, os que veem pouco e os que nada veem; os que escutam e falam, os que não ouvem nem falam; os que aprendem rápido e os que precisam de mais tempo para aprender; os que caminham com as próprias pernas e os que usam cadeiras de rodas, próteses ou muletas; os autistas, aqueles com síndrome de Down, com dislexia, com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, com paralisia cerebral, epilepsia... Todos devem ser conscientizados de sua situação perante Deus, por causa do pecado, e saber que podem ser "justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus" (Rm 3:24).

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Luciano de Paula Lourenço

Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards.

Revista Ensinador Cristão – nº 67. CPAD.

Ev. Dr. Caramuru Afonso Francisco. Evangelização – a Missão máxima da Igreja. PortalEBD_2007.

Rev. Hernandes Dias Lopes. João, as glórias do Filho de Deus.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Marcos, o evangelho dos milagres.

O desafio da Evangelização. Pr. Claudionor, de Andrade. CPAD.

Orlando Boyer. Esforça-te para ganhar almas. Ed. Vida.

(1) Adaptado do texto do Pr. Claudionor de Andrade. A evangelização das pessoas com deficiência.

(2) Adaptado do texto do Pr. Claudionor de Andrade. A evangelização das pessoas com deficiência.

domingo, 28 de agosto de 2016

Tende Bom Ânimo



“Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” Jo 16:33

Aflições: thlipsis (Strong 2347), Pressão, opressão, estress, angústia, tribulação, adversidade, aflição, esmagar, apertar. É como colocar as mãos em uma pilha de coisas soltas e cumprimi-lás manualmente. Thlipsis é como pressionar espiritualmente. A palavra é usada para esmagamento de uvas ou azeitonas em uma prensa.

Você já se sentiu assim? Pressionado, sem forças para reagir?  Talvez o correto fosse perguntar: Quem nunca conheceu thlipis?  E de crianças a anciões, todos responderiam que já viveram ou estão vivendo essa fase. Nem mesmo Jesus, filho de Deus esteve a salvo das aflições. O livro de Hebreus descreve “Jesus em tudo foi tentado, mas permaneceu sem pecado” Hb 4:15. Ele teve seu dias de “prensa” em que poderia resmungar, maldizer e até arrepender-se de ter deixado a glória dos céus, para cumprir a salvação dos homens.


 Mas não. Jesus sofreu e andou acima de tudo quanto o tentava empurrar para baixo. Subia aos montes, em intensas horas de oração e mesmo quando descia aos vales, seu espírito não se desprendia das regiões celestiais, da sombra do Onipotente. Ele sabia o que Deus guardava para os que confiavam em Seu nome: “Em seu favor está à vida, o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” Sl 30:5 Jesus aguardava as manhãs e andava nelas, mesmo quando era noite.

Na Prensa de Azeitonas

“Então chegaram a um lugar com oliveiras, chamado Getsêmani” Mc 14:32

GET—“PRENSA” (PRESSÃO): A primeira parte da Palavra “Getsêmani” é “Get” que significa “pressão”. Em todas as quintas de oliveiras existe um lagar onde uma prensa de pedra é colocada sobre as azeitonas e o óleo é extraído delas.




SEMANI — “ÓLEO,” “PERFUME,” “UNÇÃO” OU “FRUITIFICAÇÃO”: Onde há “Get” também existe “Shemeni” (Sémen). Óleo, doçura, unção e muito fruto são alguns produtos resultantes de espremer as azeitonas


Jesus foi pressionado até verter sangue por todos os poros, enquanto isso, seus companheiros dormiam sem se dar conta da angústia do Mestre.  Seu sofrimento, o motivo da nossa unção, frutificação.

Já passei por várias aflições. Palavras e gestos humanos,  pareciam insuficientes para restaurar minhas forças. Mas ao me prostrar diante do Senhor, em oração e súplica senti Seu refrigério, Sua voz mansa e suave a dizer-me: “Não temas, estou contigo”. Somente através do conforto em Cristo Jesus, encontrei ânimo para superar a perda de 70% da visão direita e me ver livre de um problema renal crônico. Esta é uma área da vida em que Satanás me prensou até quase me fazer desfalecer, a saúde.

Mas quando aprouve a Deus me fazer conhecer a Verdade, o que antes era motivo de tristeza foi convertido em alegria. Se antes, eu chorava as perdas, hoje em tudo vejo Sua mão, Sua presença, Sua voz a me convocar para o Reino. Os sofrimentos eram um chamado. Mas eu vivia tão ocupada com os olhos cheios de lágrimas, que não conseguia enxergar a glória das coisas que transbordavam em minha vida., agia como os Israelitas no deserto, e não via as colunas de fogo a e nuvem a me cercar.

Jesus estava sendo prensado no Getsêmani, mas a Bíblia diz que naquele momento: “Apareceu-lhe um anjo do céu que o confortava” Lc 22:42

Quando tiveres passando pela prensa, lembre-se: “fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar” I Cor 10:13

Esse lagar produzirá azeite, perfume, porque Deus atende aos que nEle esperam e confiam.

Em Cristo.

Wilma Rejane

Biblia de Estudo Plenitude
Getsêmani Tony Silveira
Imagens Bíblicas
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