sábado, 20 de maio de 2017

JEROBOÃO E O ALTAR DA IDOLATRIA


Por Pr. Silas Figueira

Texto Base: 1 Reis 13.1-10

INTRODUÇÃO

A história de Jeroboão é um exemplo de como uma pessoa que tem as promessas de Deus para sua vida, mas devido à falta de fé e por medo, entra por caminhos errados e se afasta completamente de Deus. É a história de um homem que tinha tudo para dar certo, mas fracassou em todas as áreas de sua vida. Assim como Davi entrou para a história como um modelo de integridade para com Deus, Jeroboão era o modelo do monarca ímpio. Essa lembrança constante de seu pecado indica a maneira como o Senhor tratou a idolatria durante a história de Israel (1Rs 16.26; 2Rs 14.24).

Este homem era servo de Salomão. Era um homem que exercia entre o povo uma grande liderança. Ele era da tribo de Efraim. Salomão o colocou como supervisor de todo o trabalho forçado.

Salomão, o terceiro rei de Judá, pecou tanto contra Deus que o Senhor decidiu tirar a maior parte do reino das mãos dos descendentes dele. Após a morte deste filho de Davi, o reino se dividiu em duas partes. A parte do sul, conhecida como Judá, ficou sob o domínio dos descendentes de Davi. A maior parte, composta das dez tribos do norte, foi dada por Deus a Jeroboão, filho de Nebate, um efraimita já provado como administrador hábil. Por ser um excelente líder e por estar o reino de Salomão em declínio por causa da sua idolatria (1Rs 11.9-13); o Senhor levantou contra Salomão vários inimigos, dentre eles o próprio Jeroboão (1Rs 11.26).

O profeta Aías procurou Jeroboão com um recado do Senhor lhe dizendo que o reino de Israel seria divido após a morte de Salomão e que ele seria rei de dez tribos e que ele seria bem sucedido, mas para isso teria que seguir ao Senhor (1Rs 11.29-40).

Quando Salomão morre e seu filho Roboão passa a reinar, Jeroboão retorna do Egito e vê se cumprir a profecia que o Senhor lhe havia falado (1Rs 12.16-20), pois Roboão, em sua arrogância, não deu ouvidos ao conselho dos mais velhos, mas seguiu o conselho dos jovens. E o conselho deles era para que se tornasse pior que seu pai.

Quando o profeta Aías transmitiu a Jeroboão a mensagem de Deus garantindo-lhe o reino de Israel (1Rs 11.28-39), o profeta deixou claro que a divisão política não dava espaço a um afastamento religioso. O lugar de culto a Deus continuaria sendo em Jerusalém. No entanto, por não confiar nas promessas de Deus, ele estabeleceu o seu próprio culto e sacerdotes para evitar que o povo que estava sob sua liderança fosse adorar em Jerusalém (1Rs 12.25-33).

Jeroboão conduziu o povo a uma falsa religião. Essa religião que inventou era confortável, conveniente e barata, mas não era autorizada pelo Senhor. Ia contra a vontade de Deus revelada nas Escrituras e tinha como propósito a unificação do reino de Jeroboão e não a salvação do povo e a glória de Deus. Era uma religião feita por mãos humanas, e Deus a rejeitou inteiramente.

Devido a isso, o Senhor envia a Betel um profeta para profetizar contra Jeroboão e seu altar idólatra. Por isso, eu quero pensar com você sobre a vida de Jeroboão e o seu altar e quais as lições que podemos aprender com isto.

Em primeiro lugar, quando levantamos nossos próprios altares deixamos Deus de lado e criamos os nossos próprios deuses para adorar (1Rs 12.28-30).

Em Êxodo 1-6 nos diz:

“Então, falou Deus todas estas palavras: Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos”.

A adoração verdadeira envolvia a arca da aliança, o altar dos holocaustos, o templo em Jerusalém, mas não havia imagem de Deus, pois como disse o Senhor Jesus a mulher samaritana em João 4.24: “Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade”. A religião inovadora de Jeroboão tinha outros deuses – bezerros de ouro e altares em Dã e Betel. Ele tinha um certo apoio histórico, pois o primeiro sumo sacerdote de Israel (Arão) havia feito um bezerro de ouro (Êxodo 32.1-29). Precedente histórico, sem a aprovação divina, não serve para guiar o nosso caminho.

a) Vivemos hoje numa era em que a “religião inventada” é popular, aprovada e aceita.

b) Os líderes cegos que conduzem outros cegos asseveram que vivemos em uma “sociedade pluralista” e que ninguém tem o direito de afirmar que apenas uma revelação é verdadeira e que apenas um caminho para salvação é correto.

Em segundo lugar, quando levantamos os nossos próprios altares criamos as nossas próprias regras, nossas próprias leis espirituais e nossos próprios sacerdotes (1Rs 12.31). 

A lei dada por meio de Moisés foi clara. Os sacerdotes de Israel seriam levitas. Jeroboão não respeitou esta limitação e ordenou pessoas de outras tribos como sacerdotes. Quem tivesse dinheiro para fazer os sacrifícios que o rei pediu poderia ser sacerdote (2Cr 13.9).

“Não lançastes fora os sacerdotes do SENHOR, os filhos de Arão e os levitas, e não fizestes para vós outros sacerdotes, como as gentes das outras terras? Qualquer que vem a consagrar-se com um novilho e sete carneiros logo se faz sacerdote daqueles que não são deuses”.

Quando Deus dá qualificações para posições de serviço no reino dEle, devemos respeitar todas as condições por Ele impostas. Apesar de tais orientações na Palavra, quantos homens hoje continuam agindo como pastores, mesmo não tendo todas as qualificações que Deus exige deles? Quem tiver dinheiro para pagar mensalidades de algum curso de teologia se torna pastor, ignorando e desrespeitando as qualificações bíblicas (1 Timóteo 3.1-7 e Tito 1.5-9).

Pastores e “profetas” autodesignados criam a própria teologia e a passam adiante, como se fosse a verdade. Não se interessam nem um pouco no que as Escrituras têm a dizer; antes, colocam as suas “palavras fictícias” no lugar da Palavra imutável e inspirada por Deus, levando muita gente crédula a ser condenada (2Pe 2.1-3).

Esses falsos líderes abandonaram as Escrituras e inventaram seus próprios manuais de regras e condutas. 

Em terceiro lugar, quando levantamos nossos próprios altares fazemos o que bem entendemos, pois não temos a quem prestar contas (1Rs 13.1). 

Jeroboão criou uma religião que lhe permitia ser rei e sacerdote, ou seja, ele fazia o que bem entendesse.

Jeremias e Ezequiel foram sacerdotes que foram chamados para serem profetas, mas a lei mosaica não permitia que reis servissem como sacerdotes. No livro de  2Cr 26.16-23, nos diz que o rei Uzias quis oferecer incenso sobre o altar e por causa desta transgressão ele ficou leproso.

Hoje temos vivido um cristianismo do “tudo pode”, “não tem nada a ver”, “qual o problema?”. Temos visto por aí um evangelho sem compromisso com Deus, um evangelho sem cruz, um evangelho sem Deus. Entenda uma coisa: “Só houve Pentecostes porque houve cruz. Sem cruz não há Pentecostes”.

Leia o que o Senhor nos diz em Lucas 14.25-33:

"Grandes multidões o acompanhavam, e ele, voltando-se, lhes disse: Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo. Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir? Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem zombem dele, dizendo: Este homem começou a construir e não pôde acabar. Ou qual é o rei que, indo para combater outro rei, não se assenta primeiro para calcular se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil? Caso contrário, estando o outro ainda longe, envia-lhe uma embaixada, pedindo condições de paz. Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo".

A. W. Tozer escreveu:

A cruz é a coisa mais revolucionária que já apareceu entre os homens. A cruz dos tempos romanos não sabia o que era fazer acordos; nunca fez concessões. Ela vencia todas as suas discussões matando seu oponente e silenciando-o para sempre. Não poupou a Cristo, mas assassinou-o violentamente como fez aos demais. Ele estava vivo quando o penduraram naquela cruz e completamente morto quando o retiraram dali, seis horas depois. [...] Com perfeito conhecimento de tudo isso, Cristo disse: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me”. Então, a cruz não somente trouxe um fim à vida de Cristo, mas também à primeira vida, a vida velha, de cada um de seus verdadeiros seguidores. A cruz destrói o padrão antigo, o padrão de Adão, na vida do crente e o traz a um fim. Então, Deus que ressuscitou Cristo dentre os mortos ressuscita o crente, e uma nova vida começa.

Isso, e nada menos, é o verdadeiro cristianismo.

Devemos fazer algo em relação à cruz. E só podemos fazer um de duas coisas – fugir da cruz ou morrer nela.

Em quarto lugar, quando levantamos os nossos próprios altares e oferecemos nele os nossos próprios sacrifícios o Senhor não se dirige mais a nós (1Rs 13.2). 

O profeta não se dirige a Jeroboão, mas ao altar onde ele está sacrificando, pois o coração desse ímpio rei estava cheio de si e ocupado com seus próprios planos e não tinha tempo de ouvir Deus.

Observe que sua mão secou quando ameaçou o profeta e depois foi restaurada. Ele vivenciou o milagre, mas não se voltou para Deus. O coração de Jeroboão estava completamente fechado para Deus. 

O altar de Jeroboão era uma profanação ao altar do templo em Jerusalém. No altar desse rei o que era oferecido não era aceito por Deus, era feito para engrandecimento e fortalecimento do reinado e não para Deus. Não era um lugar de quebrantamento pelo pecado, mas um lugar de engrandecimento de si mesmo.

Há muitos altares em nossas igrejas hoje parecidos com o altar de Jeroboão. Vivemos um tempo secularizado em que os altares das igrejas se parecem mais com palcos de shows do que lugar de adoração. Devido a esta preocupação, precisamos entender qual é o propósito do altar que temos em nossos templos.

Por isso eu pergunto: “O que é um altar?”

1- O Altar é um LUGAR: Malaquias 1.17 “Ofereceis sobre o meu altar pão imundo e ainda perguntais: Em que te havemos profanado? Nisto, que pensais: A mesa do SENHOR é desprezível”.

O profeta Malaquias questiona porque o povo profanava o altar oferecendo pão imundo, ou seja, entregando ofertas indesejáveis ao Senhor e desprezando o lugar santo. Isso ainda acontece quando as pessoas fazem do altar um lugar comum onde se apresentam não a Deus, mas a um público.

O altar é um local, contudo deve ser um lugar santificado e “ungirás também o altar do holocausto e todos os seus utensílios e consagrarás o altar; e o altar se tornará santíssimo” (Êxodo 40.10). Não podemos usar um lugar consagrado a Deus para dar glória aos homens (João 5.41). No Antigo Testamento, para subir ao altar era preciso reverência com vestes apropriadas “nem subirás por degrau ao meu altar, para que a tua nudez não seja ali exposta” (Êxodo 20.26). Hoje estamos no tempo da Graça e dispensação do Espírito Santo, mas não podemos deixar de respeitar o lugar de adoração.
                               
2- O Altar é uma POSIÇÃO: Malaquias 1.10 “Tomara houvesse entre vós quem feche as portas, para que não acendêsseis, debalde, o fogo do meu altar. Eu não tenho prazer em vós, diz o SENHOR dos Exércitos, nem aceitarei da vossa mão a oferta”.

Malaquias também lamenta que estavam oferecendo fogo em vão no altar do Senhor e deseja que as portas fossem fechadas para que isso não acontecesse mais. Afirma que o Senhor Deus não tem alegria em receber sacrifícios falsos e não aceita um culto religioso apenas sem sentido espiritual.
O altar, além de ser um lugar de adoração é uma posição, ou seja, uma postura que precisa ser tomada pelo adorador. Para estar no lugar de adoração é preciso ser um adorador.
Estar diante do Altar da igreja exige muito respeito e temor porque “o nosso Deus é fogo consumidor” (Hebreus 12.29) e “tudo, porém, seja feito com decência e ordem” (I Coríntios 14.40). Embora hoje estejamos no tempo da graça e temos alegria e liberdade pelo Espírito Santo, não podemos negligenciar a seriedade do altar do Senhor.

3- O altar é a VIDA: Malaquias 2.13 “Ainda fazeis isto: cobris o altar do SENHOR de lágrimas, de choro e de gemidos, de sorte que ele já não olha para a oferta, nem a aceita com prazer da vossa mão”.

Malaquias repreende o povo porque ofereciam ofertas no altar e não tinham prazer ao entregar seu sacrifício. A tristeza do povo não era de arrependimento dos seus pecados.

O Altar é a vida de cada cristão porque “o corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós” (I Coríntios 6.19). Então a pessoa que confessa a Jesus deve viver uma vida diante do Altar do Senhor em seu coração.

Spurgeon aconselhava seus alunos no seminário a nunca se descuidarem da prática da oração como parte integrante na vida do Ministro da Palavra. Declarou que o pregador precisa se distinguir acima de todas as demais pessoas como um homem de oração. "Ele ora como um cristão comum, ou de outra forma seria um hipócrita. Ora mais que os cristãos comuns ou de outra forma estaria desqualificado para o cargo que assumiu".

CONCLUSÃO

Essa realidade espiritual que ocorreu na vida de Jeroboão é uma triste realidade que temos visto em nossos dias. Temos que estar atentos para não cairmos no erro de Jeroboão, que duvidou da Palavra de Deus e se enredou por outro caminho, criando o seu próprio sistema de culto, sua própria religião.

Cada crente deve ter consciência de viver no Altar do Senhor, colocando-se em oração constante diante de Deus (I Tessalonicenses 5.17) sabendo que Jesus morreu pelos seus pecados e que o Espírito Santo intercede por nós.

Nossas vidas devem ser oferecidas a Deus “como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus que o vosso culto racional” (Romanos 12.1) ao negar-se a si mesmo e tomar sua cruz como Jesus ordenou (Lucas 9.23).  Em Apocalipse o altar é o lugar onde repousam as almas dos mártires (Apocalipse 6.9) que se sacrificaram por amor a Deus.


O altar da adoração é o coração do adorador. 

Pense Nisso!

quarta-feira, 17 de maio de 2017

A GRANDIOSIDADE DA MANIFESTAÇÃO DO PODER DE DEUS



“Porque para Deus nada será impossível.”  Lc 1,37 “Eu sou o Senhor, o Deus de toda a humanidade. Nada é impossível para mim.” Jeremias 32:27

Em primeiro lugar vamos analisar e estudar juntos o Primeiro Texto Luc. 1,37, mas antes precisamos comentar o caráter desse homem de Deus, todos sabem que Lucas era medico e por conta disso era um homem pesquisador, antes de escrever o evangelho de Lucas (o próprio) pesquisou detalhadamente cada ocorrência da historia de Jesus, no versículos de 1 a 4, ele faz o seu prefacio comentando sua pesquisa.

Quando começa a escrever ainda no primeiro capitulo…Ele se depara com Duas manifestações do poder de Deus: 1ª O anjo Gabriel visita Zacarias e Isabel e logo depois João e Maria a Virgem, ele declara: “Porque para Deus nada é Impossível….” Por favor, viaje comigo nessa ocasião….Ele se rende a “Grandiosidade da Manifestação do poder de Deus”. Aleluia!!!!

ÊXODO 14 nos mostra de uma forma grandiosa a manifestação do poder de Deus, onde na ocasião Deus livra o povo de Israel da escravidão do Egito, onde este fora escravo por mais de cento e cinquenta anos, os capítulos que antecedem o capitulo em estudo, mostra varias manifestações do Poder de DEUS, em particular de Gênesis a Apocalipse (toda a bíblia) revela varias, varias e varias manifestações do poder de Deus em ação, através de vários Homens e Mulheres de Deus e inclusive através de JESUS CRISTO, O próprio Deus.

O QUE FAZER PARA SE ALCANÇAR O IMPOSSÍVEL?
1. PARE DE MURMURAR, PARE DE DUVIDAR.
• O povo saiu do Egito debaixo de uma Promessa: A terra de Canaã. E interessante que mal acabara de sair, e tudo parecia perdido de novo. Estavam parados, encurralados e o inimigo vinha atrás armado até os dentes; O povo ficou apavorado, angustiado e teve muito medo; Para o povo, a causa já estava perdida. E o povo começa a murmurar e a reclamar com Moisés. Êxodo 14:11

NA VERDADE A PERGUNTA ERA:
• Cadê a Promessa
• Cadê a vitória; a bênção que tanto nos prometeu?
• Onde está Deus?

2.º FAÇA MENÇÃO DA PALAVRA PROFÉTICA, LIBERE PALAVRA DE VITÓRIA,
Êxodo 14:13-15 - Da mesma forma que você deve repreender uma palavra de derrota, deve receber com alegria a palavra de vitória.

Moisés disse ao povo:
• Não se preocupem, não percam a fé.

Creia em Deus, porque ele é o DEUS DO IMPOSSÍVEL…..Ele fará o Impossível acontecer e vocês verão e testificarão.

Há uma causa difícil ou impossível em sua vida? CONTINUE CREIA NÃO DESISTA, CONFIE NO SENHOR!

O deserto é lugar de tratamento, podemos ousar em dizer que é a escola de preparação para o cristão, lembra em Mateus 4, Jesus logo após se batizado por João, Ele foi conduzido para o Deserto e ali passou 40 dias e venceu, sabe queridos o Deserto não é eterno na minha e sua vida, ele tem inicio e também tem fim, na verdade faz parte do nosso caminho e apenas um percurso, no deserto precisamos ficar atentos qual a forma de tratamento que Deus tem estabelecido para nós:

É na escassez que conhecemos o Deus da provisão.
É na solidão que conhecemos o Deus Emanuel.
É na doença que conhecemos o Deus da cura.
É na impossibilidade que conhecemos o Deus do impossível.

Lembre-se: “Todas as vezes que Deus prometer algo para sua vida ou propuser novos sonhos em seu coração, prepare-se para passar pelo deserto, pois é o único caminho para a terra prometida”.

Placido Goncalves Modesto

Por Litrazini

Graça e Paz

quinta-feira, 18 de maio de 2017

QUANDO A VIDA NÃO FUNCIONA

Então Isaque despediu Jacó e este foi a Padã-Arã, a Labão, filho do arameu Betuel, irmão de Rebeca, mãe de Jacó e Esaú. (Gênesis 28.5) 

Jacó esperou muitos anos pela bênção prometida e, depois de recebê-la, teve de ir para o exílio. Ele foi forçado a deixar os seus queridos pais, e estes foram separados do seu amado filho por um longo tempo.

À primeira vista, pode-se pensar que isso não era tão ruim. Mas é muito difícil para qualquer pessoa deixar o pai e a mãe, uma herança e um ambiente confortável e fugir em miséria e pobreza.

Esse é um exemplo maravilhoso que nos mostra como Deus trabalha. Ele requer que confiemos em suas palavras e em suas promessas até mesmo quando o oposto dessas promessas estiver acontecendo conosco.

Jacó obteve a bênção prometida, mas precisou agarrar-se a ela por meio da fé e não duvidar do que não podia ver.

Jacó nada tinha a não ser um cajado na mão e um pedaço de pão na sacola. Ele estava pobre, sozinho e exilado, mas confiava nas promessas de Deus.

O exemplo de Jacó nos ensina a viver pela fé. Devemos crer em Deus quando ele promete nos amar e nos proteger, cuidar de nós e nos ouvir, mesmo que não possamos ver isso acontecendo.

Essa história foi escrita como um exemplo para nós. Devemos aprender a confiar na Palavra visível do nosso invisível e incrível Deus.

Pelo fato de Deus não mentir nem nos enganar, esperamos com confiança e paciência que ele cumpra sua promessa.

Isso é difícil para nós porque estamos acostumados a coisas que podemos tocar, ver ou sentir.

Precisamos aprender a abandonar o que podemos experimentar apenas com nossos sentidos e viver de acordo com o que é invisível. 

Retirado de Somente a Fé – Um Ano com Lutero. Editora Ultimato.

Por Litrazini
Graça e Paz

segunda-feira, 15 de maio de 2017

ABIGAIL, UM CARÁTER CONCILIADOR


2º Trimestre/2017

 
Texto Base: 1Samuel 25.18-24,27,28

"A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira" (Pv.15:1).

INTRODUÇÃO

Nesta Aula, trataremos do caráter de mais uma personagem bíblica. Estudaremos o comportamento, o perfil e as atitudes de Abigail, mulher do ímpio Nabal, um homem dominado por um espírito mau, arrogante, insensato, que não se relacionava bem, nem mesmo com sua esposa. Abigail foi uma mulher de bom entendimento e formosa (1Sm.25:3), que demonstrou ser extremamente virtuosa. Ser virtuosa significa ter disposição, ser firme e constante para a pratica do bem; ter boa qualidade moral, ter força, ser pura e eficaz, procurar desenvolver seu potencial, ter vontade, garra para vencer e suplantar obstáculos. É difícil? Muito difícil! Mas não é impossível, se levarmos em consideração que o nosso Criador é o Deus do impossível.

Certa feita, essa extraordinária mulher, utilizando-se do seu caráter conciliador, impediu uma grande tragédia na sua família. A insensatez de seu marido fez com que ele ofendesse Davi e seus liderados, suscitando ira e desejo de vingança. Abigail de forma silenciosa e sutil, impediu o mal decorrente da loucura de seu marido (1Sm.25:18-44). Se não fosse a intervenção sábia de Abigail, toda a família de Nabal teria perecido. Quando a crise familiar chegou, Abigail com coragem e sabedoria, soube tomar as atitudes certas na hora certa. As palavras do sábio se adequa perfeitamente nesta virtuosa mulher: “Toda mulher sábia edifica sua casa, mas a tola derruba-a com a suas mãos” (Pv.14:1). Que nos momentos de crise, venhamos buscar em Deus sabedoria para agirmos com prudência, coragem e de forma pacífica.

I. ABIGAIL, UM POUCO DE SUA HISTÓRIA

A história dessa notável e extraordinária mulher de Deus, nos comove e traz um grande exemplo de prudência para todos nós nos dias atuais. Abigail, cujo nome em hebraico significa “fonte de alegria” ou “exultação”, era uma mulher prudente, sábia, humilde e temente a Deus. Ela era casada, e o seu marido chamava-se Nabal, cujo nome em hebraico significa “tolo, insensato, estúpido”; ele era um homem rico e próspero, porém duro e maligno. Diz o texto sagrado:

 “E havia um homem em Maom, que tinha as suas possessões no Carmelo; e era este homem mui poderoso, e tinha três mil ovelhas e mil cabras, e estava tosquiando as suas ovelhas no Carmelo. E era o nome deste homem Nabal, e o nome de sua mulher, Abigail; e era a mulher de bom entendimento e formosa, porém o homem era duro e maligno nas obras; e era da casa de Calebe” (1Sm. 25:2,3).

Apesar da extensa riqueza e aparente opulência, Nabal não possuía o menor jeito no tratamento com as pessoas, fossem elas da família, fossem empregados, fossem viajantes. Davi prestou um grande favor a Nabal ao proteger seus rebanhos, que foi pago com afronta, arrogância e desprezo. Certa feita, necessitou alimentar os seus homens e mandou pedir víveres a Nabal. Ao ouvir o pedido de Davi, Nabal encolerizou-se e afrontou-o diante dos mensageiros, negando qualquer apoio (1Sm.25:10,11). Seu comportamento extremamente negativo em relação a Davi demonstrou que o rico Nabal certamente era partidário do rei Saul, e considerava Davi um rebelde cercado de homens desocupados, como nos indica 1Sm.25:10.

Após o falecimento de Samuel, e o rei Saul ter sido rejeitado pelo Senhor, Davi foi escolhido por Deus para substituí-lo. Por esse motivo Saul queria matá-lo. Então, Davi saiu da cidade e passou a habitar nas cavernas do deserto de Parã (1Sm.25:1), acompanhado por um grupo de homens (1Sm.25:13). O acampamento onde Davi estava ficava próximo da fazenda de Nabal, esposo de Abigail. Diz o texto sagrado que Davi mandou dez jovens ir ao encontro de Nabal, para lhe pedir alimentos, mas ele recusou em dar-lhe e deixou os jovens voltar de mãos vazias. Diz o texto sagrado (1Sm.25:5-12):

5. e enviou Davi dez jovens, e disse aos jovens: Subi ao Carmelo e, indo a Nabal, perguntai-lhe, em meu nome, como está.

6. E assim direis àquele próspero: Paz tenhas, e que a tua casa tenha paz, e tudo o que tens tenha paz!

7. Agora, pois, tenho ouvido que tens tosquiadores; ora, os pastores que tens estiveram conosco; agravo nenhum lhes fizemos, nem coisa alguma lhes faltou todos os dias que estiveram no Carmelo.

8. Pergunta-o aos teus jovens, e eles to dirão; estes jovens, pois, achem graça a teus olhos, porque viemos em bom dia; dá, pois, a teus servos e a Davi, teu filho, o que achares à mão.

9. Chegando, pois, os jovens de Davi e tendo falado a Nabal todas aquelas palavras em nome de Davi, se calaram.

10. E Nabal respondeu aos criados de Davi e disse: Quem é Davi, e quem é o filho de Jessé? Muitos servos há hoje, e cada um foge a seu senhor.

11. Tomaria eu, pois, o meu pão, e a minha água, e a carne das minhas reses que degolei para os meus tosquiadores e o daria a homens que eu não sei de onde vêm?

12. Então, os jovens de Davi se tornaram para o seu caminho, e voltaram, e vieram, e lhe anunciaram tudo, conforme todas estas palavras.

Esta resposta de Nabal aos homens de Davi foi áspera. A resposta de Nabal foi que Davi era um “ninguém”, e seus homens eram apenas escravos fugitivos. Foi uma tremenda demonstração de ingratidão; Nabal não reconheceu os benefícios recebidos. A ingratidão produz uma dor insuportável no coração. Como é ruim conviver com alguém que não reconhece seus esforços. Gente que “cospe no prato que come”.

Ao receber essa mensagem, Davi ficou sobremodo indignado, e na sua ira determinou, junto com quatrocentos homens, que lhe mataria e destruiria toda a sua casa. Diz o texto sagrado (1Sm.25:13,21,22):

13. Pelo que disse Davi aos seus homens: Cada um cinja a sua espada. E cada um cingiu a sua espada, e cingiu também Davi a sua; e subiram após Davi uns quatrocentos homens, e duzentos ficaram com a bagagem.

21. E disse Davi: Na verdade, em vão tenho guardado tudo quanto este tem no deserto, e nada lhe faltou de tudo quanto tem, e ele me pagou mal por bem.

22. Assim faça Deus aos inimigos de Davi e outro tanto, se eu deixar até à manhã, de tudo o que tem, mesmo até um menino.

Porém um dentre os jovens o anunciou a Abigail, mulher de Nabal, dizendo: Eis que Davi enviou mensageiros desde o deserto a saudar o nosso amo; porém, ele negou alimento a eles. Diz o texto sagrado (1Sm.25:14-17):

14. Porém um dentre os jovens o anunciou a Abigail, mulher de Nabal, dizendo: Eis que Davi enviou mensageiros desde o deserto a saudar o nosso amo; porém ele se lançou a eles.

15. Todavia, aqueles homens têm-nos sido muito bons, e nunca fomos agravados deles, e nada nos faltou em todos os dias que conversamos com eles, quando estávamos no campo.

16. De muro em redor nos serviram, assim de dia como de noite, todos os dias que andamos com eles apascentando as ovelhas.

17. Olha, pois, agora, e vê o que hás de fazer porque já de todo determinado está o mal contra o nosso amo e contra toda a sua casa, e ele é um tal filho de Belial, que não há quem lhe possa falar.

Abigail, às pressas, saiu ao encontro de Davi, e procurou apaziguar a situação, dando a entender a Davi que seu marido era um homem mau, tolo, sem entendimento, filho de Belial [No Antigo Testamento, “filho de belial” referia-se a pessoas que transgridiam a lei e que desprezavam aqueles que eram bons (Dt.13:13). No Novo Testamento, o termo refere-se a Satanás (2Co.6:15)], mas que ele perdoasse a sua atitude impensável, e que ela estava com bastante alimentos para suplemento dele e dos seus homens. Diz assim o texto sagrado (1Sm.25:18-31):

18. Então, Abigail se apressou, e tomou duzentos pães, e dois odres de vinho, e cinco ovelhas guisadas, e cinco medidas de trigo tostado, e cem cachos de passas, e duzentas pastas de figos passados, e os pôs sobre jumentos,

19. e disse aos seus jovens: Ide adiante de mim, eis que vos seguirei de perto. Isso, porém, não declarou a seu marido Nabal.

20. E sucedeu que, andando ela montada num jumento, desceu pelo encoberto do monte, e eis que Davi e os seus homens lhe vinham ao encontro, e encontrou-se com eles.

23. Vendo, pois, Abigail a Davi, apressou-se, e desceu do jumento, e prostrou-se sobre o seu rosto diante de Davi, e se inclinou à terra.

24. E lançou-se a seus pés e disse: Ah! Senhor meu, minha seja a transgressão; deixa, pois, falar a tua serva aos teus ouvidos e ouve as palavras da tua serva.

25, Meu senhor, agora não faça este homem de Belial, a saber, Nabal, impressão no seu coração, porque tal é ele qual é o seu nome. Nabal é o seu nome, e a loucura está com ele, e eu, tua serva, não vi os jovens de meu senhor, que enviaste.

26. Agora, pois, meu senhor, vive o SENHOR, e vive a tua alma, que o SENHOR te impediu de vires com sangue e de que a tua mão te salvasse; e, agora, tais quais Nabal sejam os teus inimigos e os que procuram mal contra o meu senhor,

27. e agora esta é a bênção que trouxe a tua serva a meu senhor; dê-se aos jovens que andam após as pisadas de meu senhor.

28. Perdoa, pois, à tua serva esta transgressão, porque certamente fará o SENHOR casa firme a meu senhor, porque meu senhor guerreia as guerras do SENHOR, e não se tem achado mal em ti por todos os teus dias.

29. E, levantando-se algum homem para te perseguir e para procurar a tua morte, então, a vida de meu senhor será atada no feixe dos que vivem com o SENHOR, teu Deus; porém a vida de teus inimigos se arrojará ao longe, como do meio do côncavo de uma funda.

30. E há de ser que, usando o SENHOR com o meu senhor conforme todo o bem que já tem dito de ti e te tiver estabelecido chefe sobre Israel,

31. então, meu senhor, não te será por tropeço, nem por pesar no coração o sangue que sem causa derramaste, nem tampouco o haver-se salvado meu senhor a si mesmo; e, quando o SENHOR fizer bem a meu senhor, lembra-te, então, da tua serva.

Davi ficou impressionado com o caráter conciliador daquela gentil mulher. Ele louvou a sua atitude sábia e prudente e desistiu de exterminar a sua família e seus bens. Diz o texto sagrado (1Sm.25:32-36):

32. Então, Davi disse a Abigail: Bendito o SENHOR, Deus de Israel, que hoje te enviou ao meu encontro.

33. E bendito o teu conselho, e bendita tu, que hoje me estorvaste de vir com sangue e de que a minha mão me salvasse.

34. Porque, na verdade, vive o SENHOR, Deus de Israel, que me impediu que te fizesse mal, que se tu não te apressaras e me não vieras ao encontro, não ficaria a Nabal, até à luz da manhã, nem mesmo um menino.

35. Então, Davi tomou da sua mão o que tinha trazido e lhe disse: Sobe em paz à tua casa; vês aqui que tenho dado ouvidos à tua voz e tenho aceitado a tua face.

36. E, vindo Abigail a Nabal, eis que tinha em sua casa um banquete, como banquete de rei; e o coração de Nabal estava alegre nele, e ele já mui embriagado, pelo que não lhe deu a entender palavra alguma, pequena nem grande, até à luz da manhã.

Passados alguns dias, quase dez dias, o SENHOR feriu Nabal, e este faleceu. Diz o texto sagrado (1Sm.25:38,39):

38. E aconteceu que, passados quase dez dias, feriu o SENHOR a Nabal, e este morreu.

39. E, ouvindo Davi que Nabal morrera, disse: Bendito seja o SENHOR, que pleiteou o pleito da minha afronta da mão de Nabal e deteve a seu servo do mal, fazendo o SENHOR tornar o mal de Nabal sobre a sua cabeça. E mandou Davi falar a Abigail, para tomá-la por sua mulher.

A loucura de Nabal por muito pouco não destruiu toda a sua casa, algo que se assemelha à realidade hoje, quando muitos maridos que se dizem cristãos agem como loucos dentro de sua residência, não tomando as posições corretas na condução do seu lar. Entendemos que há também muitas mulheres cristãs que carecem de sabedoria para que, seguindo as Escrituras, dirijam bem seus filhos e tudo mais que lhes é importante.

Quando falta, hoje, direção e sabedoria para homens e mulheres cristãs, eles poderão no futuro amargar dores, sendo incoerentes com a Palavra, em áreas que envolvem, além do casamento, a educação e a condução da vida de seus filhos.

Que as mulheres cristãs de hoje possam fazer a diferença por onde passarem, deixando para trás um rastro de luz que ilumine e uma pitada de sal que tempere a vida de todos que cruzarem seus caminhos.

II. ABIGAIL DEMONSTRA O SEU CARÁTER

Abigail aparece como uma mulher de destaque por ter muitas qualidades, tais como: inteligente, bonita, conciliadora, pacificadora, corajosa, paciente, sábia, ponderada, humilde, bondosa, generosa e com destaque de sua fé em Deus. É claro que não há espaço nesta Aula para falar de todas as qualidades dessa extraordinária mulher. Trataremos de apenas três.

1. Uma mulher prudente. Abigail, depois de ser avisada do perigo a que seu marido havia exposto toda a família, apressou-se para tentar reverter a situação. Ela, porém, agiu com extrema prudência. O momento inspirava cuidado, pois a sua missão era salvar vidas e não destruí-las. Qualquer gesto ou qualquer fala fora de lugar poderia colocar tudo a perder. Abigail deu uma lição para todos os que servem a Deus: saber agir nos momentos de crises e ameaças. A Bíblia afirma que “no coração do prudente repousa a sabedoria, mas o que há no interior dos tolos se conhece” (Pv.14:33). Embora o seu marido lhe desse pouco valor, esta sábia mulher fez o máximo de sua habilidade e oportunidades. Por sua ação rápida e hábil negociação, impediu que Davi se vingasse de Nabal. Ela enxergou o panorama geral e deixou um grande espaço para que Deus se envolvesse na situação. Abigail trabalhou prudentemente para evitar que Davi agisse de forma impulsiva e precipitada.

2. O caráter diligente e sábio. Além de bela e prudente, Abigail era muito sábia. O seu gesto de enviar à sua frente suprimentos para Davi e para os homens que estavam com ele serviria para apaziguar aqueles homens dominados pela cólera. Assim que os servos dela foram, Abigail partiu, em cima do seu animal – “E sucedeu que, andando ela montada num jumento, desceu pelo encoberto do monte, e eis que Davi e os seus homens lhe vinham ao encontro, e encontrou-se com eles” (1Sm.25:20). Em sentido contrário, vinha Davi com seus quatrocentos homens, respirando raiva e sentimento de vingança, com desejo de não deixar com vida nem mesmo um menino (cf. 1Sm.25:18-22). Foi muito perigoso! Se não fosse a atitude diligente e sábia dessa valorosa mulher, toda uma família e todos os seus bens tinham sido destruídos. A Bíblia diz que “a mulher sábia edifica a sua casa, mas a insensata, com as próprias mãos, a derriba”(Pv.14:1).  

3. O caráter conciliador de Abigail. Davi cavalgava com a fúria dos homens de coração ferido. Mas em sentido contrário, vinha Abigail, montada em seu jumento. Em seu coração, ela levava sentimento de paz, de humildade, de amor e de perdão. Tão logo ela viu Davi, desceu do animal, prostrou-se com o rosto em terra, e pediu uma chance para lhe falar:

"E lançou-se a seus pés e disse: Ah! Senhor meu, minha seja a transgressão; deixa, pois, falar a tua serva aos teus ouvidos e ouve as palavras da tua serva" (1Sm 25:24).

Primeiramente, Abigail pediu perdão a Davi; em seguida, Abigail pediu a Davi que deixasse seus inimigos com o Senhor, que os jogaria longe, como do meio do côncavo de uma funda (1Sm.25:29b); depois, após afirmar que no tempo certo o Senhor poria Davi no trono de Israel, Abigail frisou:

“então, meu senhor, não te será por tropeço, nem por pesar no coração o sangue que sem causa derramaste, nem tampouco o haver-se salvado meu senhor a si mesmo...” (1Sm.25:31a).

Abigail exortou Davi para que não fizesse justiça com as próprias mãos, pois Deus haveria de julgar seus inimigos. Ela apontou as consequências de agir sob irritação. Davi seria culpado do derramamento desnecessário de sangue, e mais tarde, quando Davi se tornasse rei, seu ato poderia desgastar a confiança e o apoio do povo de Judá.

Abigail foi, sem dúvida, um exemplo de humildade (quando se ajoelhou aos pés de Davi e assumiu a culpa pelo que o marido fez); um exemplo de coragem (não sabia como seria recebida por Davi); foi inteligente e sábia, ao conseguir apaziguar a situação criada pelo marido diante de Davi e vencer um grande obstáculo: a ignorância dele.

Davi nunca imaginou que a sua sede de vingança e fúria contra um desafeto fossem anuladas pela sabedoria e pela força de uma mulher de caráter pacificador. Se em cada uma das mulheres cristãs de hoje existir um pouquinho da conduta irrepreensível, da sabedoria e da coragem de Abigail, com certeza elas serão vitoriosas como ela o foi, além de servirem de canal de ajuda para mais mulheres se aproximarem de Deus e verem a Sua glória.

III. O RESULTADO DO CARÁTER DE ABIGAIL

Há homens que não merecem a esposa que têm. Abigail era, provavelmente, a mulher que Nabal poderia ter, e teve muito mais do que merecia quando se casou com ela. Abigail era bonita e mais bem preparada do que o marido para administrar a riqueza. Entretanto, Nabal não concedeu à sua mulher o devido valor.

1. Davi foi aplacado por Abigail. Ao encontrar-se com Abigail, Davi foi vencido pela palavra sábia e prudente de uma verdadeira mulher de Deus. Cumpriu-se o que diz Salomão: "A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira" (Pv.15:1).

Abigail viu que algo devia ser feito para evitar o resultado do erro de Nabal. Pronta estava ela para ouvir, disposta estava ela para agir. Ela fez mais que ouvir, ela agiu. Enquanto Nabal, o insensato, estava ocupado com bebidas, comidas e festejos, essa valente mulher saiu para enfrentar um exército irado. Isto é ação.

“Então, Abigail se apressou, e tomou duzentos pães, e dois odres de vinho, e cinco ovelhas guisadas, e cinco medidas de trigo tostado, e cem cachos de passas, e duzentas pastas de figos passados, e os pôs sobre jumentos” (1Sm.25:18).

Você pode imaginar a coragem dessa mulher? Ela, com uns jumentos carregados de alimentos e alguns servos, indo enfrentar 400 homens armados e zangados! Observe que Abigail não disse nada ao seu esposo. Ela foi corajosa e, ao mesmo tempo, sensível ao que seus criados lhe falaram e resolveu agir por conta própria. Abigail conhecia Davi, conhecia suas lutas em favor do seu povo, por isso, ela faz um comparativo sensato entre a guerra que Davi estava prestes a começar contra sua casa e as guerras que ele devia travar pelo Senhor. Disse ela: 

“…porque meu senhor guerreia as guerras do Senhor, e não se tem achado mal em ti por todos os teus dias” (1Sm.25:26-28).

Veja como ela aliou a ação à sabedoria. Abigail se dirigiu a Davi com tanta reverência como se falasse a um rei coroado. Seu marido tinha, com desdém, exclamado: "quem é Davi?"(1Sm.25:10); mas, Abigail o chamou de “senhor meu” (1Sm.25:24). 

Abigail apresentou por inferência a conduta que Davi deveria adotar. Ele faria as guerras do Senhor. Não deveria procurar vingança de ofensas pessoais, embora estivesse sendo perseguido como um traidor. Resultado: Davi tremeu ao pensar quais poderiam ser as consequências de seu intuito precipitado. Com estas palavras, Abigail foi capaz de promover nobreza em Davi.

A observação de Abigail - “não se ache mal” em Davi (1Sm.25:28) - era tanto uma declaração como uma advertência para que Davi não se desqualificasse para o grande ofício para o qual havia sido ungido – o de ser rei. Para que ele não carregasse um peso em sua consciência quando chegasse ao trono de Israel, por ter se vingado com suas próprias mãos. A coragem de Abigail fez Davi refletir e mudar de ideia. Certamente, ele aprendeu uma grande lição para a sua vida. Ele era corajoso e provou isso quando enfrentou Golias, mas faltava-lhe a lapidação do caráter para enfrentar situações adversas e oposições.

O Espírito de Deus tomou as palavras de Abigail como espada afiada de dois gumes e elas penetraram diretamente no coração de Davi. O valente guerreiro ficou profundamente comovido. Davi, então, voltou atrás no seu intento (1Sm.25:22). Ele se deu conta de que aquele voto, feito impensadamente, não atingiria o alvo e não agradaria a Deus. Aquele voto de vingança deveria ser deixado de lado. Foi o que Davi fez: recolheu a sua vingança, saiu dos caminhos de destruição e desgraça e transferiu-se para o caminho da paz.

Deus lhe enviara Abigail, mulher corajosa, temente, sensível, humilde, bondosa, pacífica, de caráter conciliador, para evitar que se tornasse o causador de uma chacina que mancharia a sua integridade e roubaria a sua autoridade. Diante de tão grande livramento, Davi agradeceu a Deus e à Abigail (1Sm.25:32-35):

“Bendito o Senhor, Deus de Israel que hoje te enviou ao meu encontro. E bendito o teu conselho, e bendita tu, que hoje me estorvaste de vir com sangue e de que a minha mão me salvasse. Porque, na verdade, vive o SENHOR, Deus de Israel, que me impediu que te fizesse mal, que se tu não te apressaras e me não vieras ao encontro, não ficaria a Nabal, até à luz da manhã, nem mesmo um menino. Então, Davi tomou da sua mão o que tinha trazido e lhe disse: Sobe em paz à tua casa; vês aqui que tenho dado ouvidos à tua voz e tenho aceitado a tua face”.

2. Deus feriu Nabal. Após cumprir a sua missão pacificadora, voltou Abigail a Nabal. Ela não estava voltando para um marido generoso, carinhoso, tranquilo, mas para um marido mesquinho, avarento, grosseiro e irascível. Abigail, porém, não o abandonou, mas retornou para ele. Ao chegar à sua casa, ela se deparou com um banquete suntuoso e um marido embriagado. Logo notou que aquela não seria a melhor ocasião para conversar com ele, pelo que não lhe deu a entender palavra alguma, pequena nem grande, até à luz da manhã (1Sm.25:36). Pela manhã, Abigail contou a Nabal tudo que havia ocorrido. Qual foi a reação dele? Diz o texto sagrado: “E se amorteceu nele o seu coração, e ficou ele como pedra” (1Sm.25:37b). Alguns entendem que Nabal sofreu um ataque cardíaco ou talvez uma congestão e ficou “como pedra”. Dez dias depois, feriu o Senhor a Nabal, vindo a morrer (1Sm.25:38). Por que Deus deixou que Nabal vivesse ainda dez dias? Porque Ele é longânimo para com o ser humano (2Pd.3:9). Deus estava lhe dando um tempo para que mudasse o seu modo de viver, da perversidade para a santidade. Deus queria muito que aquele homem perverso se convertesse do seu mau caminho (Ez.18:23; 33:11). Nabal, porém, não soube aproveitar aquela oportunidade misericordiosa. Então, o Senhor o feriu de morte. Como Abigail havia dito, Deus cuidou da causa de Davi. Ao saber disso, Davi, novamente, louvou a Deus, dizendo: “Bendito seja o Senhor, que pleiteou o pleito da minha afronta da mão de Nabal e deteve a seu servo do mal ... (1Sm.25:39a).

3. Davi toma Abigail por sua esposa. Abigail foi compensada pela coragem e caráter conciliador, e tornou-se esposa de Davi. Davi ficou muito impressionado com a competência e prudência de Abigail e, após a morte de Nabal, casou-se com ela. Davi mandou dizer a Abigail que queria que ela fosse sua mulher - “[...] E mandou Davi falar a Abigail, para tomá-la por sua mulher” (1Sm.25:39). Abigail aceitou e se apressou em partir para junto dele (1Sm.25:40-42):

“Vindo, pois, os criados de Davi a Abigail, no Carmelo, lhe falaram, dizendo: Davi nos tem mandado a ti, para te tomar por sua mulher. Então, ela se levantou, e se inclinou com o rosto em terra, e disse: Eis aqui a tua serva servirá de criada para lavar os pés dos criados de meu senhor. E Abigail se apressou, e se levantou, e montou num jumento com as suas cinco moças que seguiam as suas pisadas; e ela seguiu os mensageiros de Davi e foi sua mulher”.

Daí por diante, ela tornou-se sua companheira inseparável em todas as coisas, boas e más (1Sm.27:3; 30:5; 2Sm.2:2). Mais tarde, ela foi com Davi para Hebrom e Jerusalém, como sua rainha. Eles tiveram um filho, Quileabe, ou Daniel (2Sm.3:3; 1Cr.3:1).

CONCLUSÃO

O perfil conciliador de Abigail, que fez Davi retroceder em sua decisão em relação a Nabal, fez muita diferença. Quantas dores não foram evitadas por causa do conselho conciliador de Abigail! A Palavra de Deus diz que “a resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira” (Pv.15:1). Muitas vezes esquecemos este alerta e pensamos que podemos falar com outras pessoas da forma que se bem pretende. No lugar de aplacar a ira, a estimula mais; no lugar de apagar o fogo da discórdia, o acende mais. Há pessoas que preferem jogar “gasolina na fogueira”, quando deveria trabalhar para apagá-la; trabalhar pelo entendimento, pela conciliação, pela unidade. Trabalhar pela paz é que fomos chamados! Anote: a sabedoria e a prudência andam juntas, é como um barco a remo, temos que remar de ambos os lados para seguirmos na direção certa.

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Luciano de Paula Lourenço
Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

Comentário Bíblico popular (Antigo e Novo Testamento) - William Macdonald.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.

Revista Ensinador Cristão – nº 70. CPAD.

Comentário Bíblico Pentecostal. Novo Testamento. CPAD.

Pr. Elinaldo Renovato de Lima. O caráter do Cristão. CPAD.

Rev. Hernandes Dias Lopes. Abigail, uma mulher admirável.